Avaliação Social, Clínica e Medicamentosa da Leishmaniose Visceral no Estado de Alagoas
no Período de 2015 a 2024
Leishmaniose Visceral, perfil social, aspectos clínicos e terapêuticos
As leishmanioses estão presentes em cerca de 200 nações e territórios, especialmente na
África, Ásia e Américas, em diferentes formas clínicas, sendo a cutânea, mais comum e, a
visceral, mais grave. A Organização Mundial de Saúde, aponta a prevalência mundial das
diferentes formas clínicas da doença ultrapassa 12 milhões de casos humanos. A
leishmaniose visceral, doença infecciosa negligenciada, com mortalidade global estimada
em 59.000 óbitos por ano, permanece como problema de saúde pública em vários países
do mundo, incluindo o Brasil, especialmente em regiões endêmicas do Nordeste.
Objetivou-se avaliar o perfil social, clínico e medicamentoso da Leishmaniose Visceral no
Estado de Alagoas no período de 2015 a 2024.Trata-se de estudo quantitativo
observacional, retrospectivo, acerca do perfil social, clínico e medicamentoso da
leishmaniose Visceral em Alagoas, Brasil, realizado no ano de 2025. Utilizou-se como fonte
o banco de dados extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação,
considerando os casos confirmados de leishmaniose visceral, no período de 2015 a 2024,
e, analisados estatisticamente por meio do teste do qui- quadrado de Pearson e, regressão
logística binária multivariada, com estimativa de odds ratios ajustados. Todas as análises
consideraram intervalos de confiança de 95% e nível de significância de 5%. Foram
analisados 516 casos confirmados de Leishmaniose Visceral, evidenciando padrão
endêmico sustentado ao longo da série histórica, pico de incidência em 2018 (3,7
casos/100.000 habitantes), seguido de redução progressiva até 2024. O perfil
sociodemográfico revelou predominância do sexo masculino (64,3%), maior acometimento
em crianças, especialmente entre 1 e 4 anos (20,5%), e elevada frequência em indivíduos
de raça/cor parda (86,4%) e baixa escolaridade, indicando associação com condições de
vulnerabilidade social. Clinicamente, destacaram-se manifestações clássicas da doença,
como febre (91,8%), esplenomegalia (89,4%), hepatomegalia (84,2%) e palidez (82,2%),
além de emagrecimento (78,2%) e fraqueza (67,9%). Sinais associados à gravidade, como
icterícia (21,2%), fenômenos hemorrágicos (14,3%) e coinfecção por HIV (6,8%), foram
identificados como fatores relacionados a pior prognóstico. O desfecho óbito evidenciou as
crianças com menor risco (RP=0,38; p=0,014), enquanto os idosos apresentaram risco
aproximadamente três vezes maior (RP=2,97; p=0,008), pacientes com recidiva ou
transferência apresentaram risco significativamente maior de óbito quando comparados aos
casos novos (RP=4,54; p<0,001), assim como gravidade clínica do paciente. A letalidade
apresentou variação anual, com destaque para 2022 (18,8%), sugerindo maior gravidade
proporcional ou possível atraso no diagnóstico e tratamento. No tratamento, a efetividade
terapêutica foi calculada a proporção de cura para cada fármaco, observou-se maior
proporção de cura entre os pacientes tratados com antimoniato de meglumina (87,0%),
estimouse a redução absoluta do risco e o número necessário para tratar. Sugerindo maior
efetividade do antimoniato de meglumina frente a anfotericina B, em ambos proporção de
cura e redução de óbitos, não demonstrando evidência conclusiva de superioridade,
possivelmente refletindo a influência de fatores clínicos não controlados como gravidade
inicial dos casos e indicação terapêutica diferenciada. Os resultados evidenciam que a
leishmaniose visceral em Alagoas mantém comportamento endêmico, associado a
determinantes sociais e impacto clínico, reforçando a necessidade de fortalecimento das
ações de vigilância, diagnóstico precoce e manejo adequado da doença. Palavras-chave:
leishmaniose visceral; perfil Social; aspectos clínicos e terapêuticos.