LITERATURA COMO ATO DE (RE)EXISTÊNCIA EM CONTEXTOS DE VULNERABILIDADE SOCIAL: UMA PROPOSTA DE MEDIAÇÃO DE LEITURA EM UMA TURMA DO 9º ANO DA REDE PÚBLICA
Mediação de Leitura. Resistência. Formação de identidade. Ensino de literatura.
Esta dissertação investiga a leitura literária como experiência de mediação, acolhimento e resistência em um contexto escolar marcado por vulnerabilidades sociais, materiais e simbólicas. A pesquisa nasce de uma inquietação docente concreta: como aproximar estudantes do 9º ano da rede pública do universo da literatura sem reduzir a leitura a uma prática utilitária, avaliativa ou meramente escolarizada. Parte-se da compreensão de que, em realidades atravessadas pela precariedade, pela violência e por múltiplas formas de silenciamento, o encontro com o texto literário pode constituir uma possibilidade de elaboração subjetiva, pertencimento e reconstrução de sentidos. O objetivo geral consiste em descrever e refletir sobre o desenvolvimento de duas propostas pedagógicas voltadas à aproximação dos estudantes com a arte literária, por meio da criação de um espaço de leitura na escola e de práticas de escrita criativa em sala de aula. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza interventiva, realizada na Escola Estadual Jornalista Lafaiette Belo, situada em Maceió, Alagoas, tendo como participantes estudantes de uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental. A geração dos registros ocorreu por meio de observações, rodas de conversa, questionários, diário de bordo, registros fotográficos, interações digitais e produções escritas dos estudantes. Os resultados indicam que, embora inicialmente a leitura literária aparecesse para muitos alunos como experiência distante, escolarizada ou pouco vinculada às suas vivências, as propostas desenvolvidas favoreceram deslocamentos importantes. A criação coletiva do espaço de leitura possibilitou sentimentos de pertencimento, cuidado e protagonismo, ressignificando a biblioteca como lugar de encontro e circulação da palavra. As práticas de escrita criativa, por sua vez, ampliaram as possibilidades de autoria, imaginação e expressão de si, permitindo que a leitura transbordasse em linguagem própria. Conclui-se que a mediação literária, quando situada no chão da escola e atravessada pela escuta sensível dos sujeitos, pode abrir frestas de humanidade em meio à dureza do real, afirmando a literatura como ato de existência e de resistência.