MEU QUERIDO DIÁRIO: UMA TRAVESSIA ENTRE ESCRITA DE SI, LEITURA LITERÁRIA E OS SENTIDOS DO TEXTO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Educação de Jovens e Adultos; praticas de leitura e escrita; textualidade; gênero diário pessoal.
Esta pesquisa tem como objetivo investigar como o gênero diário pessoal pode favorecer o engajamento de estudantes dos 6º e 7º períodos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) com a leitura literária e o desenvolvimento da escrita, considerando suas vivências e contextos socioculturais (Colomer, 2007; Rouxel, 2013). A EJA constitui-se como uma modalidade da educação básica destinada a sujeitos que tiveram trajetórias escolares interrompidas ou tardias, trazendo para a sala de aula experiências de vida e saberes diversos que demandam práticas pedagógicas sensíveis a esses percursos. Nesse contexto, busca-se compreender de que maneira a escrita de si, articulada a leituras significativas, contribui para a mobilização de aspectos da textualidade e para a valorização da autoexpressão na escola e na vida. A justificativa parte do diagnóstico de que práticas pedagógicas tradicionais, muitas vezes descontextualizadas das experiências dos estudantes, podem gerar desmotivação e distanciamento das práticas de linguagem. Assim, o diário pessoal, por sua natureza íntima e reflexiva, pode constituir um espaço de construção de sentidos, fortalecimento do vínculo com a palavra escrita e aproximação entre escola e realidade dos estudantes (Lejeune, 1997). Metodologicamente, a pesquisa adotará uma abordagem qualitativa, com intervenção pedagógica em uma turma da EJA. Serão propostas leituras de textos literários como motivadoras para a escrita de diários pessoais. As produções dos estudantes serão analisadas à luz da Linguística Textual, considerando aspectos como intertextualidade, coesão e coerência (Koch e Elias, 2006; Marcuschi, 2008; Antunes, 2017), articulando-se às práticas de letramento (Kleiman, 2005; Street, 1984) e às reflexões sobre leitura e subjetividade (Petit, 2019; Bordini e Aguiar, 1988). Espera-se que os resultados evidenciem o diário pessoal como um gênero capaz de ressignificar a leitura literária e a escrita no contexto da EJA, fortalecendo a participação dos estudantes como produtores de sentidos.