BEM-ESTAR NO TRABALHO E FUNCIONALISMO PÚBLICO: UM ESTUDO
COM SERVIDORES DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE ALAGOAS
Bem-estar no trabalho; funcionalismo público; universidade pública;
Administração pública.
O bem-estar relacionado ao trabalho é um tema que tem recebido cada vez mais atenção de
pesquisadores, gestores e elaboradores de políticas públicas, pois as consequências de um
ambiente de trabalho adoecedor ultrapassam o bem-estar dos trabalhadores e afetam os
serviços prestados à sociedade. Nesses últimos anos, as pesquisas dedicadas a investigar o
fenômeno do bem-estar no trabalho no funcionalismo público têm ganhado destaque. A
Universidade Estadual de Alagoas é uma instituição pública de comprovada relevância social
que ainda não havia recebido atenção nesse tema. Esta pesquisa teve como objetivo avaliar o
bem-estar dos servidores da Universidade Estadual de Alagoas no trabalho. Para isso, foram
realizados: um levantamento dos programas de bem-estar no trabalho já existentes na
instituição e análises quantitativa e qualitativa dos níveis de satisfação no trabalho,
envolvimento com o trabalho e comprometimento organizacional afetivo. A linha de pesquisa
foi de Administração Pública e Organizações, com contribuições da psicologia organizacional
e dos recursos humanos. Para o levantamento de programas, foi realizada uma pesquisa nas
fontes oficiais da universidade, verificando documentos oficiais, postagens em redes sociais e
matérias jornalísticas. Para a análise quantitativa, 144 servidores responderam o IBET-13, um
inventário baseado no conceito de Bem-Estar no Trabalho e a interpretação dos dados foi feita
também a partir desse conceito. Para a análise qualitativa, uma entrevista semiestruturada
cujas questões se inspiraram no conceito de Bem-Estar no Trabalho foi realizada com 8
servidores e a interpretação dos dados foi feita a partir do método de Análise de Conteúdo. Os
resultados constataram que a Universidade Estadual de Alagoas desenvolve programas e ações
de bem-estar geral e de saúde mental, mas não especificamente de bem-estar ligado ao
trabalho. Além disso, o escore dos fatores de BET foi mediano, com valores menores em
envolvimento com o trabalho, o que indica a necessidade de mais intervenções nesse fator, e
valores que se alteram a partir da comparação entre diferentes cargos, diferentes localizações
do trabalho e se há função gratificada ou não. A Análise de Conteúdo das entrevistas
semiestruturadas identificou que, apesar do Bem-Estar no Trabalho apresentar relatos
positivos em pontos como remuneração, estabilidade profissional, relação com colegas e
chefia e valorização do trabalho, outros pontos se destacaram negativamente, como as
articulações políticas para mobilidade de cargos, o excesso de trabalho, a dificuldade de
manejar as demandas no horário do trabalho e ausência de um espaço de escuta voltado aos
servidores. A partir desses resultados, foi elaborado um Produto Técnico-Tecnológico que
visou lançar as diretrizes de um programa voltado ao bem-estar dos servidores da universidade
no trabalho. O objetivo deste produto é de provocar mudanças organizacionais na forma com
que as gestões da universidade lidam com o bem-estar dos servidores, além de estimular mais
pesquisas e debates sobre o tema dentro da universidade.