A domesticação deixa assinaturas repetíveis nos elementos transponíveis da família Bovidae?
diversidade genômica, elementos repetitivos, repeatoma, RTE-BovB, LTR.
O processo de domesticação animal consiste como resultados das ações humanas, redirecionando trajetórias evolutivas em curtos espaços de tempo. No entanto, ainda se sabe menos sobre como a domesticação pode ter afetado porções repetitivas do genoma, especialmente os elementos transponíveis (ETs). Os ETs são sequências móveis de DNA capazes de alterar sua posição no genoma, influenciando a variabilidade genética e a regulação gênica. Nesse contexto, a família Bovidae, que inclui bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos, oferece um sistema adequado para testar essa questão, pois possuem grande importância econômica, histórica e ecológica, que permitem comparações contrastivas. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo investigar se eventos independentes de domesticação na família Bovidae estão associados a mudanças consistentes na composição e diversidade de elementos transponíveis. Para isso, foram comparadas linhagens domesticadas e selvagens de 25 espécies, 3 subespécies e 5 híbridos dos gêneros Bos, Bubalus, Capra e Ovis, utilizando métricas quantitativas do repeatoma. Nos resultados foram identificados 15 tipos distintos de ETs, 7 de Classe I, 1 de Classe II, e ainda 6 DNA Satellites, a priori, observou-se que especialmente LINEs (RTEBovB) e LTRs, constituem a fração dominante do genoma repetitivo, e a variação entre os gêneros revela que o padrão de composição dos ETs não é homogêneo dentro da família Bovidae, além disso, a PCA evidenciou que os indivíduos se agrupam predominantemente de acordo com o gênero, independentemente do tipo biológico. Assim, os resultados deste estudo demonstram que os elementos transponíveis em Bovidae apresentam padrões de diversidade e dominância mais fortemente associados ao gênero taxonômico do que ao status biológico, o que parece refletir principalmente a história evolutiva das linhagens, com possíveis efeitos da domesticação ocorrendo de forma secundária, sutil ou dependente. Esses resultados reforçam a importância de incorporar o contexto filogenético em estudos comparativos sobre domesticação e DNA repetitivo.