Ozonioterapia em gatos naturalmente infectados pelo vírus da imunodeficiência felina (FIV): avaliação clínica e fatores associados à sobrevida
Imunomodulação; Terapia adjuvante; Carga viral.
O Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) representa uma importante retrovirose que acometem a espécie felina, caracterizando-se por imunossupressão progressiva e predisposição a infecções oportunistas, com impacto significativo sobre a saúde e o bem-estar animal. A ausência de terapias antivirais específicas e a limitação de opções farmacológicas eficazes reforçam a necessidade de abordagens terapêuticas complementares. Nesse contexto, a ozonioterapia tem se destacado como alternativa promissora, em virtude de suas propriedades imunomoduladoras, antioxidantes e antivirais. Esta dissertação teve como objetivo caracterizar aspectos epidemiológicos da infecção pelo FIV em felinos institucionalizados e avaliar os efeitos clínicos, hematológicos e bioquímicos da insuflação retal ozonizada em gatos naturalmente infectados. O trabalho foi desenvolvido em dois estudos. O primeiro consistiu em uma coorte histórica retrospectiva envolvendo 113 felinos FIV-positivos acompanhados entre 2024 e 2026, na qual foram estimados indicadores epidemiológicos, fatores associados à mortalidade e curvas de sobrevivência por Kaplan–Meier, complementadas por modelo de regressão de Cox. A prevalência da infecção foi de 19,2%, com predominância de machos (75,2%). A mortalidade acumulada foi de 44,2%, e a condição corporal abaixo do ideal constituiu o principal fator prognóstico independente para óbito, estando associada à menor sobrevida dos animais. O segundo estudo compreendeu um ensaio clínico prospectivo, controlado e randomizado, com 33 felinos naturalmente infectados pelo FIV distribuídos em três grupos experimentais e acompanhados durante 120 dias. Foram realizadas avaliações clínicas seriadas, hemograma, perfil bioquímico e quantificação molecular da carga viral. A insuflação retal ozonizada promoveu melhora clínica progressiva, evidenciada pela redução significativa do escore clínico, além de modulação de parâmetros leucocitários e manutenção da estabilidade dos indicadores bioquímicos de função hepática e renal, demonstrando segurança do protocolo empregado. Em conjunto, os resultados ampliam o conhecimento sobre a evolução clínica da infecção pelo FIV, identificam a condição corporal como importante marcador prognóstico e sugerem que a ozonioterapia por insuflação retal representa uma alternativa terapêutica adjuvante promissora para o manejo clínico de felinos naturalmente infectados.