IDENTIDADE E PARENTESCO A PARTIR DA CLONAGEM HUMANA: UMA PERSPECTIVA FILOSÓFICA
Identidade, Parentesco, Clonagem.
Essa dissertação investiga duas questões importantes referentes à possibilidade da clonagem humana: identidade e parentesco. Sendo a clonagem reprodutiva de ordem científica, a questão da identidade majoritariamente abordada pela filosofia e pela literatura, e o parentesco sendo objeto de estudo da antropologia, é notório que diferentes áreas de conhecimento perpassam nossa dissertação, ainda que o nosso objetivo seja invariavelmente filosófico. Nós utilizaremos, no primeiro momento, de análises sociológicas, antropológicas, éticas e jurídicas para refletir sobre a questão da ciência e seus limites, a partir do que nos foi revelado através do experimento científico da clonagem reprodutiva da ovelha Dolly, realizado pelos cientistas Ian Wilmut e Keith Campbell. Em seguida, nos debruçaremos sobre o poder imaginativo da literatura gótica e de ficção científica em aprofundar questionamentos ontológicos sobre a natureza do ser, tratando sobre temas como a criação e a duplicação de uma pessoa, a clonagem como uma forma de subjugação político-social, e a possibilidade de não se ter uma identidade própria, dessa forma antecipando questionamentos a respeito da clonagem em um período em que tal ideia era apenas um devaneio, não uma prática científica. A filosofia então surge para dar sentido a essas ponderações literárias através dos experimentos mentais, que nos ajudam a entender melhor a questão da identidade pessoal, expandindo o que nós conhecemos como pessoa, pois ainda que a clonagem reprodutiva seja realizada em animais, em humanos se apresenta apenas como uma possibilidade, portanto ainda abstrata. Por fim, analisaremos as relações entre identidade e parentesco, chegando no objetivo de nossa pesquisa, que é o de investigar as questões filosóficas relativas à identidade e ao parentesco no caso de uma possível clonagem de seres humanos.