SONOLÊNCIA DIURNA EXCESSIVA ASSOCIADA A ESTILOS MAL-ADAPTATIVOS DE TOMADA DE DECISÃO E SOFRIMENTO EMOCIONAL (DISTRESS) EM TRABALHADORES BRASILEIROS.
Saúde Ocupacional; Tomada de Decisão; Sonolência Diurna Excessiva; Sofrimento Emocional.
A sonolência diurna excessiva (SDE), associada a privação do sono (PS) promovem déficits
comprovados nas funções executivas e nas funções neurocognitivas, elevando, ainda, o risco
de acidentes ocupacionais e sofrimento psíquico. Contudo, a associação entre SDE e estilos
específicos de tomada de decisão e sofrimento emocional em contextos laborais ainda é
pouco explorada. O objetivo deste estudo foi investigar a associação entre a SDE, os estilos
de tomada de decisão e os indicadores de sofrimento emocional em trabalhadores brasileiros.
Realizou-se um estudo transversal, quantitativo e analítico com uma amostra final de 94
participantes (média de idade 33,7±12,5 anos). Foram utilizados a Escala de Sonolência de
Epworth (ESE), o Questionário de Tomada de Decisão de Melbourne (MDMQ) e a Escala de
Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21). Validou-se, por meio de análise fatorial
confirmatória (AFC), o escore total de sofrimento emocional (Distress) derivado do
DASS-21, que apresentou índices de ajuste satisfatório (CFI=0,932;TLI=0,915). As análises
incluíram modelagem de regressão linear múltipla com erros-padrão robustos e análise
hierárquica. Os resultados revelaram que 37,3% da amostra apresentava SDE em níveis
moderados ou graves, além de níveis elevados de ansiedade (24,5%) e depressão
extremamente grave (20,2%). O modelo multivariado final para a SDE explicou 38,1% da
variância (R2=0,381), identificando a evitação decisória (β=0,36;p=0,002) e a hipervigilância
(β=0,19;p=0,040) como os principais fatores associados. Complementarmente, a regressão
hierárquica demonstrou que a inclusão da SDE dobrou a capacidade explicativa do
sofrimento emocional (Δ 2=0,106;p<0,001), sendo a SDE o principal fator de risco para osofrimento emocional (β=0,26;p=0,032), enquanto a renda entre 4 e 10 salários mínimos configurou-se como o principal fator de proteção (β=−0,77;p=0,037). Conclui-se que a SDE associa-se a estilos mal-adaptativos de tomada de decisão e pode ser um indicador robusto de sofrimento emocional no ambiente ocupacional, superando a influência da organização estrutural da jornada laboral. Intervenções em saúde ocupacional devem priorizar educação em higiene do sono, apoio especializado para casos de SDE grave e o suporte socioeconômico como estratégias de preservação do bem-estar e da segurança do trabalhador.