Cronofarmacologia de analgésicos: uma revisão sistemática sobre a influência dos ritmos circadianos na eficácia terapêutica em modelos animais.
Palavras-chaves: Cronofarmacologia. Analgesicos. Terapêutica. Modelo Animal.
Os efeitos terapêuticos dos fármacos são modulados pelos ritmos biológicos ao longo do tempo, e a cronofarmacologia investiga como essas variações influenciam a eficácia e a segurança dos medicamentos de acordo com o horário de administração ao longo do ciclo circadiano. No entanto, o potencial cronoterapêutico dos agentes analgésicos permanece pouco explorado na literatura, e ainda não há evidências sistematizadas que sintetizem os achados sobre essa temática. Esta revisão sistemática teve como objetivo avaliar se a administração de analgésicos em diferentes horários do dia influencia os desfechos terapêuticos de eficácia e toxicidade, em comparação com administrações realizadas em horários convencionais, aleatórios ou não padronizados, em modelos animais. Foram incluídos estudos experimentais com modelos animais, sem restrição quanto à data de publicação ou ao idioma. A busca bibliográfica foi realizada nas bases eletrônicas Medline/PubMed, Scopus, Lilacs, Embase, Web of Science, Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) e APA PsycNet, utilizando descritores MeSH/DeCS, termos sinônimos, operadores booleanos, técnica de busca em árvore e a ferramenta Research Rabbit para ampliar a identificação de estudos relevantes. A triagem e seleção dos estudos foram conduzidas com o auxílio do software Rayyan, e os dados foram extraídos de forma padronizada por meio de tabelas. O protocolo da revisão foi registrado no PROSPERO (ID CRD420251245508). Após a triagem, 17 estudos foram incluídos para análise completa. A análise dos estudos incluídos indica que os ritmos biológicos influenciam a modulação dos efeitos terapêuticos e, em alguns casos, a toxicidade dos analgésicos, em função do horário de administração. Quanto aos fármacos avaliados nesta revisão, foram investigados analgésicos não opioides (bucinnazina, paracetamol e dipirona), opioides (morfina, petidina, fentanil, tramadol, oxicodona e codeína) e anti-inflamatórios não esteroidais (ácido acetilsalicílico, indometacina e aspirina). Predominaram estudos conduzidos em modelos animais, principalmente ratos e camundongos machos, com diferentes linhagens dentro de cada espécie. Os achados a partir dos estudos selecionados sugerem que o horário de administração destes medicamentos pode influenciar tanto a eficácia quanto a toxicidade dos fármacos. Tal constatação colabora para a importância do papel da cronofarmacologia na otimização da terapêutica medicamentosa.