Fungos pigmentados da Caatinga alagoana e bactérias extremófilas como fontes de moléculas bioativas.
carotenoides, infecções fúngicas, pigmentos fúngicos.
O objetivo deste estudo foi isolar fungos filamentosos produtores de extratos pigmentados e avaliar seu potencial biotecnológico através de diferentes ensaios biológicos in vitro, além de construir uma revisão narrativa e patentária sobre o interesse biotecnológico de carotenoides bacterianos (extremófilos). As amostras de solo foram submetidas a ensaios para sua caracterização, indicando alta acidez, disponibilidade de material orgânico e alta toxicidade por alumínio na amostra 1. O isolamento resultou em 163 fungos obtidos através de meios suplementados com cloranfenicol e compostos por ágar farinha de arroz (33,1%), farelo de trigo (27,6%), DRBC (Dichloran Rose Bengal Chloramphenicol) (27,6%) e extrato de malte (MEA) 2% (11,6%), os quais foram criopreservados em glicerol 20%. Os fungos selecionados foram submetidos a produção de extratos pigmentados extracelulares por fermentação sólida em MEA 2% e incubados por 21 dias. A extração por solventes orgânicos, filtração, concentração e liofilização foram utilizados para a obtenção dos extratos secos para sua ressuspensão em DMSO (100 mg/mL). O rendimento de produção variou entre 92 a 810 mg/mL. A identificação inicial resultou em isolados pertencentes aos gêneros Aspergillus e Penicillium. A varredura UV-VIS (100 µg/mL) resultou em absorbâncias máximas entre 400 e 425 nm. Para a avaliação da atividade fotoprotetora dos extratos em metanol (100 µg/mL) a equação de Mansur foi considerada, o que resultou em Fator de Fotoproteção (FPS) notáveis para 9IIIA-2 AE (10,19 ± 0,16) e 11IIIG-2 (9,23 ± 0,51). Inibição do radical DPPH foi observado para todos os extratos, com variações entre 1000 a 7,8 µg/mL. Os valores de equivalência de ácido gálico por g do extrato pelo método antioxidante FRAP apresentou melhores resultados em concentrações intermediárias, com destaque para 11IIIG-2 (300 µg EAG/g), 1IIIE-2, 1IA-4 e 15IA-4 (≥ 150 µg EAG/g, 62,5 µg/mL. No entanto, não foram observados halos de inibição para Staphylococcus aureus, Bacillus subtilis e Escherichia coli (1000 e 500 µg/mL). A Concentração Inibitória Mínima observada contra Sporothrix sp. D02 variou entre 500 e 125 µg/mL. Em baixas concentrações de 9IIIA-2 AE e 1IIIE-2 (15,6 e 31,2 µg/mL) foi observado efeito fungicida em Candida glabrata D19. No geral, houve redução significativa da viabilidade celular de macrófagos humanos dos extratos de 9IIIA-2 AE, 1IIIE-2, 1IA-4 e 11IIIG-2 similar ao controle positivo em concentrações maiores que 10 µg/mL, com exceção de 1IA-4 e 11IIIG-2 (˃ 30 µg/mL). Diversos gêneros bacterianos foram relacionados a produção de carotenoides, bem como Kocuria, Zobellia e Arthrobacter, com potencial antioxidante, fotoprotetor, antiproliferativo, antiviral e antimicrobiano. Além disso, quatro patentes descreveram a produção por Rhodococcus, Arthrobacter, Brevundimonas e Bacillus. As atividades biológicas dos exibida pelas fontes microbianas de extratos pigmentados e carotenoides indicam que os ambientes extremos, especialmente a Caatinga, podem representar uma fonte singular para estudos biotecnológicos. No entanto, a identificação molecular dos fungos, purificação e identificação química dos compostos pigmentados, e avaliações de segurança são indispensáveis para a validação biológica e futura aplicação industrial.