A pandemia nas aprendizagens e formação para a docência: um estudo com licenciandos em biologia, física, química e matemática
Formação de professores; ensino remoto emergencial; licenciaturas; ensino de ciências e matemática; tecnologias digitais.
Esta pesquisa teve como objetivo compreender, sob a ótica de estudantes das licenciaturas em Ciências Biológicas, Física, Matemática e Química da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Campus Arapiraca, as dificuldades, as alternativas construídas e as ressignificações dos processos de ensino e aprendizagem durante o Ensino Remoto Emergencial (ERE). Trata-se de uma investigação qualitativa, exploratória e interpretativa. Participaram 18 licenciandos, distribuídos em cinco grupos focais presenciais, realizados entre janeiro e agosto de 2023, gravados e transcritos integralmente. A análise foi desenvolvida por meio da Análise de Conteúdo Temática, articulando Bardin, Minayo e a interpretação das interações grupais. A discussão dialogou principalmente com a Pedagogia Histórico-Crítica e a Psicologia Histórico-Cultural, com contribuições complementares de Paulo Freire. O percurso analítico resultou em quatro categorias: Ressignificação do ambiente e da rotina de estudos; Desigualdades estruturais e condições de acesso no ERE; Mediação pedagógica, sofrimento emocional e acolhimento; e Autonomia, redes de apoio e reconstrução das sociabilidades acadêmicas. Os resultados evidenciaram mudanças nos tempos, espaços e práticas de estudo e condições desiguais de acesso à internet, equipamentos, espaços adequados, informações e ações institucionais de apoio. Os participantes também distinguiram práticas centradas na reprodução de conteúdos daquelas marcadas por interação, acompanhamento, feedback e adaptação metodológica. Emergiram relatos de solidão, desmotivação, exaustão e ansiedade, analisados como manifestações dos participantes, e não como diagnósticos clínicos. Diante das dificuldades, os licenciandos construíram estratégias individuais e coletivas, incluindo redes de apoio, compartilhamento de materiais e apropriação de recursos digitais. As tecnologias foram ressignificadas criticamente como recursos complementares à formação presencial, quando articuladas a objetivos pedagógicos, mediação qualificada e condições adequadas de acesso. Conclui-se que o ERE tornou mais visíveis desigualdades e contradições do processo educativo e reafirmou a importância das condições materiais, da mediação pedagógica, das relações sociais e do uso crítico das tecnologias na formação inicial de professores.