FERTILIDADE FEMININA NO ENSINO DE BIOLOGIA A PARTIR DE UMA ANÁLISE TRANSMIDIÁTICA DAS NARRATIVAS DE “O CONTO DA AIA”
Narrativas de “O Conto da Aia”. Fertilidade Feminina. Ensino de Biologia.
As fases reprodutivas de uma mulher marcam o início e o término de sua fertilidade. O início ocorre na puberdade, com a menarca, e o fim se estabelece com a menopausa. Entre a menarca e a menopausa, há os ciclos menstruais, que são mensais, mas que podem ser interrompidos por um evento; como a gestação. Esses processos biológicos determinam a função social das mulheres nas narrativas de “O Conto da Aia”, quais sejam: os livros “O Conto da Aia” (2017) e “Os Testamentos” (2019), o filme “A Decadência de uma Espécie” (1990) e a série televisiva homônima do primeiro livro (2017 - 2025), objeto de pesquisa desta tese. Fazendo uma analogia com o mundo real, percebe-se que essas narrativas correspondem a um espelho sombrio da realidade vigente, pois ser mulher ainda é ser compreendida como o outro, isto é, como o incompleto, o inessencial, frágil, histérica, que tem o dever de permanecer recatada, o objeto. Mediante o que foi exposto, surgiu a seguinte questão de pesquisa: Quais as potencialidades das narrativas de “O Conto da Aia” para se discutir a fertilidade feminina nas aulas de Biologia? Diante desse questionamento, buscou-se sustentar a tese de que essas narrativas podem contribuir para um ensino de Biologia crítico, reflexivo e, consequentemente, sensível as questões de corpo, gênero e sexualidade que permeiam a fertilidade feminina. Em virtude disso, traçou-se como objetivo geral: investigar as potencialidades das narrativas transmidiáticas de “O Conto da Aia” para promover um ensino de Biologia crítico, reflexivo e, consequentemente, humanizado no que tange a fertilidade feminina. Estabeleceu-se como objetivos específicos: desenvolver estudos teórico-bibliográficos a fim de compreender os fundamentos históricos, sociológicos e pedagógicos presentes nas narrativas dessa obra de Atwood; explorar as possibilidades de discutir a fertilidade feminina no ensino de Biologia por um viés sensível as questões de corpo, gênero e sexualidade, a partir das narrativas de “O Conto da Aia”; e compreender, por meio de uma análise transmidiática dessas narrativas, as potencialidades de ensinar fertilidade feminina por um viés humanizado. A partir daí, a pesquisa, de cunho interpretativo e qualitativo, desenvolveu-se em três etapas. A primeira foi marcada por estudos teórico-bibliográficos, que promoveram uma compreensão maior dos diferentes arranjos presentes nas narrativas de “O conto da Aia”, bem como sobre narrativas transmidiáticas. A segunda etapa consistiu em explorar os livros em diálogo com o filme e com as temporadas da série, destacando em diário de bordo os excertos e as cenas que possibilitavam discutir a fertilidade feminina sob um viés humanizado, sensível aos fenômenos socioculturais e históricos que envolvem tal tema. A terceira e última etapa traz a análise transmidiática desenvolvida a partir das narrativas de “O Conto da Aia”, que consistiu na análise individual de cada narrativa em comparação com a narrativa cânone. Essas análises apontaram que a maior potencialidade das narrativas de “O Conto da Aia” para um ensino de fertilidade humana antipatriarcal concentra-se no combate a violência contra a mulher.