AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA E SEGURANÇA DA SEDAÇÃO MULTIMODAL COM DEXMEDETOMIDINA E CETAMINA (KETODEX) EM DIFERENTES PROPORÇÕES: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO
Cetamina; Dexmedetomidina; Criança; Sedação Consciente; Transtorno do espectro autista.
Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) frequentemente apresentam dificuldades comportamentais e sensoriais que dificultam o atendimento odontológico, exigindo o uso de técnicas de sedação farmacológica para proporcionar maior segurança e efetividade durante os procedimentos. A combinação de dexmedetomidina e cetamina, conhecida como Ketodex, tem demonstrado resultados promissores em pacientes atípicos por oferecer estabilidade hemodinâmica, sedação adequada e preservação da ventilação espontânea. Entretanto, ainda existem lacunas quanto à proporção ideal dessas drogas e à segurança de sua utilização em crianças com TEA. Objetivo: Avaliar a eficácia e segurança da sedação com dexmedetomidina e cetamina (Ketodex) nas proporções de 1:1, 1:2 e 1:3, respectivamente, em crianças com Transtorno do Espectro Autista submetidas a procedimentos odontológicos. Método: Foi conduzido um ensaio clínico randomizado, paralelo e triplo-cego, com 63 crianças com TEA, distribuídas aleatoriamente em três grupos (n = 21 por grupo). Foram avaliados os parâmetros fisiológicos (SpO₂, frequência cardíaca e pressão arterial), a eficácia da sedação por meio da Escala de Houpt e a ocorrência de efeitos adversos. Os dados foram analisados adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: Observou-se diferença estatisticamente significativa na taxa de sucesso da sedação entre os grupos (p < 0,001). O Grupo 1 apresentou taxa de sucesso de 19,0%, o Grupo 2 de 71,4% e o Grupo 3 de 95,2%. Houve aumento progressivo da eficácia da sedação conforme o aumento proporcional da cetamina na associação com dexmedetomidina. Os parâmetros fisiológicos permaneceram dentro dos parâmetros clinicamente aceitáveis durante todo o procedimento, sem ocorrência de eventos adversos graves. Conclusão: A associação Ketodex mostrou-se eficaz e segura para a sedação de crianças com TEA submetidas a tratamento odontológico, sendo a proporção 1:3 a que apresentou o melhor desempenho clínico, com maior taxa de sucesso da sedação e perfil de segurança aceitável, configurando-se como uma alternativa promissora para o manejo odontológico dessa população.