EDUCAÇÃO AMBIENTAL E COMPLEXIDADE: SENTIDOS ATRIBUÍDOS POR PROFESSORES DO AGRESTE ALAGOANO
Educação ambiental. Concepções docentes. Análise de discurso. Pensamento complexo.
Nosso objetivo nessa pesquisa foi compreender os efeitos de sentido produzidos nos discursos de professores da rede pública municipal acerca da Educação Ambiental (EA), considerando seus percursos formativos e suas trajetórias profissionais. O estudo insere-se no contexto de uma educação marcada por desafios socioambientais contemporâneos e pela necessidade de superação de abordagens fragmentadas, instrumentalizadas e comportamentais da EA no espaço escolar, amplamente problematizadas pela literatura da área. Como aporte teórico-metodológico, adotamos a Análise de Discurso (AD) de linha materialista francesa, desenvolvida por Michel Pêcheux, Eni Orlandi e colaboradores, que compreende o discurso como efeito de sentidos historicamente produzidos na relação entre linguagem, sujeito e ideologia. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter interpretativo, que utilizou entrevistas semiestruturadas como instrumento de produção dos dados, permitindo o acesso aos dizeres dos professores e às condições de produção de seus discursos. O corpus foi construído a partir da transcrição integral das entrevistas e da seleção de recortes discursivos significativos, analisados à luz dos princípios da AD materialista, considerando regularidades, deslocamentos e tensões nos modos de significar a EA. A investigação apoia-se em entrevistas semiestruturadas realizadas com professores em exercício, cujos relatos constituem o corpus de análise, permitindo examinar como as concepções de EA são construídas discursivamente e atravessadas pelos percursos de formação inicial, continuada e pelas experiências vividas na prática docente. Os resultados evidenciam a predominância de sentidos associados a uma EA de caráter conservacionista e normativo, centrada na responsabilização individual e em práticas pontuais, ao mesmo tempo em que revelam fissuras e deslocamentos discursivos que apontam para a emergência de compreensões mais reflexivas, contextualizadas e potencialmente críticas. Tais movimentos dialogam com os pressupostos do pensamento complexo, ao evidenciar a necessidade de articular saberes, contextos e dimensões sociais, políticas e culturais da problemática ambiental. Concluímos que os discursos docentes analisados expressam tensões entre perspectivas tradicionais e críticas da EA, indicando que a superação de concepções fragmentadas depende de processos formativos que valorizem o diálogo, a complexidade e a formação de sujeitos críticos comprometidos com a transformação social.