Os sentidos das experiências universitárias para um grupo de mulheres indígenas egressas das licenciaturas do CLIND (UNEAL): diálogos entre saberes tradicionais e saberes acadêmicos
Mulheres indígenas universitárias. Universidade. Saberes tradicionais. Saberes acadêmicos. Culturas. Experiências. Pesquisa biográfica.
Esta pesquisa teve como objetivo geral, compreender os sentidos que as estudantes indígenas egressas atribuem às experiências vivenciadas no Curso de Licenciatura Intercultural Indígena de Alagoas (CLIND-UNEAL), em especial, aos diálogos estabelecidos entre os saberes tradicionais e os saberes acadêmicos. Como objetivos específicos buscou-se: estudar o contexto histórico dos três grupos indígenas (sujeitos participantes da pesquisa); conhecer e compreender as experiências e os saberes tradicionais de cada grupo indígena; identificar os diálogos entre os saberes tradicionais e os saberes acadêmicos; analisar as propostas das mulheres indígenas egressas quanto às experiências vivenciadas na universidade. Partiu-se do pressuposto de que as experiências destas mulheres, tanto nos grupos indígenas, os quais pertencem, com os saberes tradicionais; como aquelas vivenciadas na licenciatura intercultural do CLIND, propiciaram diálogos, articulações e ressignificações, contribuindo positivamente para fortalecer suas referências, como para ampliar o repertório de formação e de preparação para a docência nas escolas indígenas. Metodologicamente trata-se de uma pesquisa qualitativa com análise de documentos Projeto Político Pedagógico do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena de Alagoas (PPC), a pesquisa bibliográfica (OLIVEIRA, 2007; GIL, 1994; LIMA E MIOTO, 2007) e a pesquisa (auto)biográfica (DELORY-MOMBERGER, 2012; 2016; 2019; 2021; PASSEGGI, 2016), tendo como foco principal a análise das entrevistas de pesquisa biográfica (DELORY-MOMBERGER, 2012) de quatro estudantes indígenas egressas da UNEAL (CLIND), de três grupos indígenas (Wassu Cocal, Xucuru Kariri e Koiupanká). Estas perspectivas teórico-metodológicas articulam-se com a teoria da relação com o saber, no que tange à relação epistêmica e identitária com os saberes dos sujeitos com o mundo e com o aprender (CHARLOT, 1997; 2000; REIS, 2021). As narrativas dessas quatro participantes da universidade possibilitaram interpretar as experiências vivenciadas formadoras no mundo acadêmico nos diálogos com seus saberes tradicionais, os quais são frutos daquilo que cada uma vivenciou a partir de suas subjetividades, singularidades construídas ao longo da vida (JOSSO, 2004) e no percurso universitário. Recorremos também aos estudos de Freire (1981; 1996) no que se refere à dialogicidade na relação horizontal entre os homens, onde o diálogo é o centro do processo e condição fundamental para a real humanização que revoluciona e liberta. Identifica-se nesta pesquisa que as narrativas analisadas constituíram um rico material, no qual destacaram os seguintes componentes: a relação com a comunidade e a universidade, a identidade, as experiências, a contribuição do CLIND no processo de autoafirmação das participantes, como mulheres e docentes indígenas. Os resultados ratificam a tese de que a UNEAL, através do CLIND alargou os laços do diálogo do currículo dos cursos de Licenciatura Intercultural Indígena com os saberes tradicionais dos grupos indígenas participantes desta pesquisa. Identificou-se também que elas reivindicam cursos de pós-graduação com os mesmos princípios do CLIND e que reivindicam que na UNEAL haja maior diálogo entre os cursos interculturais indígenas e os cursos não indígenas, para superação dos preconceitos vivenciados. Assim, é fundamental que os estudos universitários tenham um olhar sensível e transdisciplinar para a diversidade sociocultural, em outras palavras, amplifiquem a mediação dos saberes acadêmicos com os saberes tradicionais e assim impulsionem novas questões sobre a temática deste estudo. Recorremos também aos estudos de Freire (1981; 1996) no que se refere a dialogicidade na relação horizontal entre os homens, onde o diálogo é o centro do processo e condição fundamental para a real humanização que revoluciona e liberta. Identifica-se nesta pesquisa que as narrativas analisadas constituíram um rico material, no qual destacaram os seguintes componentes: a relação com a comunidade e a universidade, a identidade, as experiências, a contribuição do CLIND no processo de autoafirmação das participantes, como mulheres e docentes indígenas. Os resultados ratificam a tese de que a UNEAL através do CLIND alargou os laços do diálogo do currículo dos cursos de Licenciatura Intercultural Indígena com os saberes tradicionais dos grupos indígenas participantes desta pesquisa. Identificou-se também que elas reivindicam cursos de pós-graduação com os mesmos princípios do CLIND e que reivindicam que na UNEAL haja maior diálogos entre os cursos interculturais indígenas e os cursos não indígenas, para superação dos preconceitos vivenciados. Assim, é fundamental que os estudos universitários tenham um olhar sensível e transdisciplinar para a diversidade sociocultural, em outras palavras, amplifique a mediação dos saberes acadêmicos com os saberes tradicionais e assim impulsionem novas questões sobre a temática deste estudo.