EDUCAÇÃO, INVISIBILIDADE E RECONHECIMENTO: uma análise a partir dos tipos de violências sofridas pelos adolescentes das instituições de acolhimento em Maceió-AL.
Educação. Reconhecimento. Adolescente. Acolhimento. Esfera pública, Violência.
No Brasil, a ideia de esfera pública vem desde o século XX e vai além da estrutura estatal. Entretanto, é deveras preocupante a configuraçao de uma sociedade que possui um perfil excludente e seletivo, a qual é marcada pelo absentismo de recintos do diálogo público quando da importância da democratização desse espaço que é farto de índices e atores de destrutibilidade social, a exemplo dos adolescentes disponíveis à adoção acolhidos nas Unidades Institucionais Acolher, Casa Lar Semas e Luzinete Soares de Almeida, sob a responsabilidade do município de Maceio no Estado de Alagoas. Destarte, o presente trabalho tem como objetivo dialogar com as equipes multiprofissionais das referidas unidades para identificar as violências vivenciadas pelos adolescentes acolhidos e seus reflexos na formação psicossocial, bem como elucidar que a educação tem um papel primordial na vida desses jovens durante sua permanência no acolhimento e para a preparação do desligamento institucional com a maioridade, sendo um dos direitos basilares assegurados pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sob a perspectiva da Teoria do Reconhecimento (Habermas, 2004) como principal origem dos conflitos vividos pelos jovens em acolhimento institucional, isso no que diz respeito à inexistência de reconhecimento social nos mais diversos âmbitos (Honneth, 2013) das esferas da vida desses indivíduos, especialmente, no âmbito familiar. Trata-se de um estudo que adotou uma perspectiva predominantemente como metodologia o caráter exploratório-descritivo quanto ao nível de aprofundamento e pesquisa bibliográfica e documental aos fins, já que sua abordagem foi de uma pesquisa qualitativa. Buscou-se os seguintes descritores: adoção, acolhimento, esfera pública, violência, direitos e deveres dos adolescentes, matricialidade sociofamiliar, inclusão do outro, de modo a subsidiar a análise qualitativa e as considerações finais dos dados obtidos. Ademais, os achados desse estudo possibilitaram uma compreensão acerca dos impactos das violências suportadas pelos adolescentes no processo de acolhimento até a sua adoção ou desligamento compulsório das unidades, sob a ótica gerencial dos envolvidos nesse processo: família e/ou responsáveis, Estado e sociedade, bem como contribuiu à maximização do aprazimento integral voltado aos adolescentes inadotáveis. A partir das particularidades quanto aos resultados obtidos das unidades visitadas, não é possível generalizar para as demais unidades de acolhimento do Estado, pois trata-se apenas da realidade do lócus da pesquisa das três unidades de acolhimento institucional para adolescentes em Maceió.