As vozes das crianças e estudantes em tratamento de saúde: do direito à participação na classe hospitalar
direito; escuta sensível; vozes das crianças; pesquisa etnográfica.
Educação e Saúde são direitos universais garantidos na Constituição de 1988, fruto de luta e conquistas das famílias e da sociedade civil organizada. A educação hospitalar ao articular esses dois direitos básicos consolida-se como um campo essencial para assegurar a criança e ao estudante em tratamento de saúde uma vida digna e cidadã. Em Maceió/AL, a educação hospitalar nunca foi assumida como política pública educacional e, no geral quando ofertada, ocorria por meio de iniciativas isoladas e pontuais de projetos de extensão da Universidade Federal de Alagoas. Em 2024, teve início o movimento de institucionalização das atividades educativas em ambientes hospitalares transformando-as em Classe Hospitalar, conforme preconiza o Ministério da Educação (Brasil, 2002). E ainda que o serviço educacional esteja em fins de implantação e regulamentação, ações em prol da continuidade da escolarização continuaram a ocorrer na pediatria do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA). Este estudo, acompanhando o processo de institucionalização da Classe Hospitalar no HUPAA, realizou a escuta sensível de crianças e estudantes em tratamento de saúde em regime de internação, cujo objetivo consistiu em compreender como o direito à educação e à participação é visto por crianças e estudantes em tratamento de saúde no ambiente hospitalar. A Educação Hospitalar e o processo de Escuta Sensível permitiram um (re)olhar sobre o cotidiano e a importância destas crianças e estudantes expressarem suas leituras, visões, saberes, experiências, necessidades e desejos acerca do contexto educacional durante os períodos de internação. Baseado nos estudos e pesquisas de Fonseca (2003), Matos e Mugiatti (2009), Simões et al. (2022), Mercado (2022) e em normativas brasileiras que visam assegurar o direito à educação para crianças e estudantes em tratamento de saúde no contexto hospitalar (Brasil, 1988; 1990; 1994; 1996; 2002; 2018). Tratou-se de uma pesquisa de abordagem metodológica qualitativa e etnográfica, centrada na escuta das vozes das crianças e estudantes em tratamentos de saúde. Como recursos metodológicos foram utilizadas entrevista semiestruturadas, gravações de áudio, desenhos comentados e diários de bordo da pesquisadora. Durante o processo de escuta foi possível vislumbrar uma visão aprofundada e sensível das vivências e percepções deste público no ambiente hospitalar. É de suma importância o desenvolvimento de pesquisas e estudos que valorizam e ouvem as vozes das crianças e estudantes hospitalizados e historicamente invisibilizados, centrado numa perspectiva mais humana que reconhece crianças e estudantes em tratamento de saúde como sujeitos de direito, ao resgatar a cidadania, o protagonismo e a dignidade humana