ANÁLISE LINGUÍSTICA NO MATERIAL ESTRUTURADO DO PROGRAMA ALFABETIZA MACEIÓ: PROPOSIÇÕES PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Análise Linguística. Material estruturado. Programa Alfabetiza Maceió. Alfabetização
Esta pesquisa analisou as propostas de atividades centradas em práticas de análise linguística do Caderno de Atividades de Língua Portuguesa nº 1, adotado pelo Programa Alfabetiza Maceió, destinado às classes de 1º ano do Ensino Fundamental. Considerando a necessidade de investigar as políticas de recomposição de aprendizagens no ciclo de alfabetização, assim como o uso de materiais estruturados nesse processo, questiona-se: como as práticas de análise linguística são propostas no material estruturado do Alfabetiza Maceió; e, quais as premissas teórico-metodológicas que norteiam tais direcionamentos pedagógicos? Desse modo, o objetivo geral desdobrou-se nos objetivos específicos: a) identificar a concepção de alfabetização que norteia as propostas de atividades voltadas para as práticas de análise linguística no material estruturado; b) verificar como as práticas de linguagem (Oralidade, Leitura/Escuta, Produção de textos e Análise Linguística/Semiótica) são organizadas ao longo das propostas de atividades do material estruturado; c) investigar de que modo as atividades contidas no Caderno 1 de Língua Portuguesa, centradas nas práticas de análise linguística, contribuem para a apropriação e domínio do Sistema de Escrita Alfabética em contexto de letramentos; e d) analisar como o trabalho docente é direcionado a partir das orientações didáticas. A presente investigação, de abordagem qualitativa (Minayo, 2001), constitui-se como uma pesquisa documental (Lüdke; André, 1986) e bibliográfica (Marconi; Lakatos, 2003), a partir da exploração dos materiais estruturados de Língua Portuguesa, adotados pelo programa Alfabetiza Maceió, destinados ao 1º ano do Ensino Fundamental. Os resultados apontam uma estreita relação entre o material estruturado e a Política Nacional de Alfabetização (Brasil, 2019a), no que concerne à concepção de alfabetização, de maneira que o Sistema de Escrita Alfabética é entendido como um código e as práticas de leitura e de escrita não são propostas em diferentes situações de usos sociais da língua. Nas atividades, foram identificadas como habilidades recorrentes do eixo da análise linguística/semiótica: segmentar oralmente palavras em sílabas; comparar palavras, identificando semelhanças e diferenças entre sons de sílabas iniciais; comparar palavras identificando semelhanças e diferenças entre sons de sílabas mediais e finais; reconhecer, em textos versificados, rimas, sonoridades e jogos de palavras. Apesar de reconhecer a importância do desenvolvimento de tais habilidades linguísticas, durante o processo de alfabetização, muitas das propostas estão centradas na memorização e repetição de palavras, bem como não fornecem desafios capazes de promover uma melhor aprendizagem por parte das crianças. No que diz respeito às orientações para o professor, revelou-se uma concepção de professor como executor de tarefas, estabelecendo etapas que deveriam ser seguidas à risca para o sucesso do referido programa.