PERMANÊNCIA DE JOVENS-MÃES-ESTUDANTES NO CURSO DE PEDAGOGIA: NARRATIVAS, ADVERSIDADES E ENFRENTAMENTOS
Gênero. Maternidade. Universidade. Pesquisa (auto) Biográfica. Permanência.
Enquanto objetivo geral, a pesquisa busca compreender como jovens-mães-estudantes no ensino superior permanecem estudando no curso de Pedagogia do Centro de Educação (CEDU) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), tendo como questão de pesquisa central: quais as principais situações-limites enfrentadas pelas jovens-mães-estudantes no curso de Pedagogia da UFAL e quais táticas utilizam para perpassar essas situações limites e permanecer no curso? Os objetivos específicos são: realizar um levantamento bibliográfico de estudos na área (2020–2023), para identificar as problemáticas destacadas sobre a temática das jovens-mães-estudantes no curso de Pedagogia; analisar as narrativas de três jovens-mães-estudantes, matriculadas do quinto ao nono período do curso de Pedagogia numa universidade pública federal no nordeste do Brasil, acerca das situações-limites enfrentados durante sua trajetória acadêmica; identificar e sistematizar propostas das jovens mães que possam contribuir para a permanência de outras estudantes em situação similar. Fundamentado na perspectiva de gênero como relações de poder e na compreensão das juventudes como uma categoria socialmente construída, o trabalho reconhece a complexidade das experiências dessas mulheres, compreendendo a experiência como um processo de formação e transformação único e pessoal. A metodologia combina uma revisão bibliográfica, que analisa publicações recentes (2020–2023) sobre maternidade no contexto universitário, e a pesquisa biográfica em educação, realizada por meio de entrevistas narrativas com três jovens-mães-estudantes do quinto ao nono período do curso. O estudo aborda temas como a construção social do gênero, a feminização do curso de Pedagogia, as situações-limites da maternidade e as políticas de permanência estudantil. Os resultados revelam que essas estudantes enfrentam significativas situações-limites que afetam sua permanência material e simbólica, como a falta de creches com horários compatíveis com todos os turnos, a ausência de flexibilização curricular formalizada, o desconhecimento dos auxílios existentes e a discriminação no ambiente acadêmico. Para superá-las, desenvolvem táticas como a reorganização temporal (estudar durante a madrugada), o acionamento de redes de apoio informais, a flexibilização do fluxo curricular e a ressignificação da maternidade como motivação para persistir. A pesquisa evidencia a urgente necessidade de políticas institucionais específicas, como ampliação dos serviços de creche, divulgação efetiva dos auxílios existentes, criação de espaços de acolhimento e sensibilização da comunidade acadêmica sobre as especificidades da condição materna. Este trabalho contribui para o debate sobre a democratização do ensino superior, fornecendo subsídios para a formulação de estratégias que transformem as táticas individuais dessas mulheres em políticas efetivas de inclusão, promovendo uma universidade mais equitativa.