VIVÊNCIAS UNIVERSITÁRIAS SIGNIFICATIVAS E PERMANÊNCIA NO CURSO DE PEDAGOGIA: NARRATIVAS DE JOVENS ESTUDANTES NEGRAS
Vivências universitárias. Pesquisa (auto)biográfica. Jovens. Mulheres negras. Permanência
Esta pesquisa tem como objetivo analisar como e quais as vivências universitárias significativas influenciam a permanência de jovens estudantes negras no curso de Pedagogia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). A partir de suas narrativas orais, identificam-se os principais desafios enfrentados por essas estudantes ao longo da graduação, considerando os recortes de raça, classe e gênero. Utilizando a metodologia qualitativa e a pesquisa (auto)biográfica, o estudo explora as trajetórias de três jovens que se autodeclaram negras e estão entre o quinto e o nono período do curso ou com matrícula vínculo para a realização do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). A pesquisa evidencia as dificuldades, conquistas e estratégias de resistência que impactam a permanência material e simbólica dessas jovens no ambiente acadêmico. Os resultados indicam que a permanência dessas estudantes não se deve apenas ao mérito individual, mas está atrelada a políticas institucionais e de permanência estudantil. Além disso, destaca-se a dualidade do ambiente universitário nos processos de reconhecimento dessas jovens enquanto mulheres negras, pois ao mesmo tempo que se sentem acolhidas por seus colegas e em alguns espaços, elas também passam por situações complicadas, omissivas ou até mesmo preconceituosas dentro desse mesmo ambiente universitário. Identificaram- se algumas vivências universitárias significativas que funcionam como redes de apoio, proporcionando acolhimento, compreensão e segurança. Dentre essas redes, destacam-se as amizades construídas no ambiente acadêmico, os auxílios financeiros e bolsas de pesquisa que viabilizam a permanência dessas jovens na universidade, e a representatividade de professores negros e negras, que fortalecem o sentimento de pertencimento e promovem discussões que as contemplem diretamente, além disso, a participação em projetos de pesquisa, a conexão com o conteúdo de disciplinas que abordam temáticas com as quais se identificam, as monitorias e os espaços que incentivam a continuidade da trajetória acadêmica, como o mestrado e o doutorado, também se mostram fundamentais nesse processo. Essas jovens também tiveram vivências universitárias desafiadoras, enfrentando o racismo e situações que as fizeram se questionar em diversos momentos. No entanto, essas dificuldades também as fortaleceram. A pesquisa evidencia a necessidade de políticas mais direcionadas à permanência estudantil, considerando tanto os aspectos materiais quanto simbólicos. Assim, o estudo contribui para o debate sobre equidade racial e de gênero no ensino superior e reforça a necessidade de se discutir a permanência universitária de forma mais ampla.