ENSINO DE FILOSOFIA E PRÁTICA DOCENTE EM ESCOLAS DE TEMPO INTEGRAL EM ALAGOAS: REFLEXÕES SOBRE A JORNADA DE 9 HORAS E SEUS IMPACTOS NO APRENDIZADO
Prática Docente, Ensino de Filosofia, Ensino Médio Integral, Jornada de 9 Horas, Políticas Educacionais.
Esta pesquisa analisa a prática docente e o ensino de Filosofia nas escolas
públicas de ensino médio integral em Alagoas, com foco nos impactos da
jornada ampliada de nove horas diárias sobre a atuação dos professores e o
aprendizado dos estudantes. Considerando o papel da Filosofia na formação
crítica, ética e cidadã, a investigação destaca o paradoxo educacional existente:
embora a jornada tenha sido estendida com o propósito de ampliar e aprofundar
a formação dos estudantes, a carga horária da disciplina permanece restrita,
comprometendo sua função no currículo. A pesquisa examina os desafios enfrentados pelos docentes, como o
planejamento de aulas significativas em apenas um encontro semanal, a
invisibilidade da disciplina na matriz curricular — especialmente na 3ª série — e
as dificuldades estruturais e pedagógicas das escolas públicas. Discute também
as contradições geradas pela Reforma do Ensino Médio, que fortaleceu os
itinerários formativos e áreas técnicas, fragilizando o ensino das humanidades e,
particularmente, da Filosofia. Soma-se a esse contexto a pressão social sobre os
estudantes, marcada por fatores como a necessidade de inserção precoce no
mercado de trabalho, o que impacta diretamente a permanência escolar e o
engajamento com disciplinas reflexivas. O estudo adota uma abordagem metodológica mista, articulando métodos
qualitativos e quantitativos. Utiliza análise documental das diretrizes da Rede
Estadual de Educação de Alagoas (RECAL), revisão bibliográfica de autores que
discutem a formação docente e o ensino de Filosofia, e observações em sala de
aula em uma escola de tempo integral em Maceió, visando compreender suas
percepções, estratégias e limitações enfrentadas no cotidiano.
A análise de dados se deu por meio da triangulação das fontes, assegurando
maior rigor interpretativo. Os resultados apontam para a precarização do ensino
de Filosofia nesse modelo, revelando dificuldades relacionadas à formação
continuada, à sobrecarga de trabalho e à limitação de tempo para desenvolver
atividades reflexivas, dialógicas e interdisciplinares. Em resposta a esses
desafios, o estudo sugere o fortalecimento das políticas de formação docente, a
ampliação da carga horária da disciplina e a adoção de metodologias criativas,
como projetos integradores e ações extensionistas, a exemplo dos Laboratórios
de Iniciativas Sociais. A pesquisa contribui para o debate sobre a valorização da Filosofia no ensino
médio, ao evidenciar que sua presença qualificada é indispensável à construção
de sujeitos críticos e participativos. Reafirma-se, assim, a necessidade de
políticas públicas comprometidas com a formação integral, que reconheçam o
papel transformador do ensino filosófico em contextos de vulnerabilidade
educacional e social.