ESCOLAS CRI(ATIVAS): PRÁTICAS DE APRENDIZAGEM INTEGRADORAS E INCLUSIVAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
inclusão; ensino; creche; complexidade; criatividade.
A aprendizagem psicossocial nos primeiros anos de vida é fundamental para o desenvolvimento de competências emocionais, cognitivas e relacionais que sustentam a trajetória escolar e social da criança. Nesse contexto, a primeira infância configura-se como uma etapa formativa essencial, na qual experiências educativas, culturais e sociais impactam diretamente o desenvolvimento humano. Partindo do pressuposto de que a educação infantil deve assegurar o direito ao brincar, à convivência e à aprendizagem, o presente estudo teve como objetivo analisar o Programa Criança Alagoana (CRIA), compreendendo suas propostas e diretrizes voltadas à educação infantil no âmbito das políticas públicas intersetoriais. A pesquisa, de natureza qualitativa, foi desenvolvida por meio da análise documental dos instrumentos normativos e institucionais que regulamentam o programa, utilizando a técnica de análise de conteúdo. O estudo fundamentou-se nos pressupostos da transdisciplinaridade e da educação inclusiva, entendidos como elementos centrais para o fortalecimento de vínculos e a promoção de aprendizagens significativas na primeira infância. Os resultados evidenciam que o Programa CRIA apresenta avanços importantes ao valorizar a diversidade sociocultural e ao fomentar experiências lúdicas no contexto do desenvolvimento infantil, reforçando a centralidade da intersetorialidade entre saúde, educação e assistência social. Contudo, identificam-se limitações no que se refere ao aprofundamento de diretrizes pedagógicas voltadas à inclusão de crianças com deficiência e transtornos, bem como à articulação entre a ludicidade e as práticas pedagógicas sistematizadas no currículo da educação infantil. Observa-se, ainda, a predominância de uma abordagem pautada na igualdade formal no
acesso, em detrimento de perspectivas orientadas pela equidade, o que pode restringir a efetivação de práticas inclusivas. Conclui-se que, embora o programa represente um avanço no campo das políticas públicas para a primeira infância, sua consolidação demanda o fortalecimento de diretrizes pedagógicas mais consistentes, fundamentadas em princípios inclusivos e equitativos, capazes de garantir não apenas o acesso, mas condições efetivas de aprendizagem, desenvolvimento e participação para todas as crianças.