MULHERES CAMPONESAS ALAGOANAS: O IMBRICAR DOS SONHOS NAS LUTAS POR DIREITOS EM UMA MÍSTICA DA EDUCAÇÃO POPULAR
Educação Popular; Mística; Feminismo; Justiça Social
A presente tese analisa o protagonismo das mulheres alagoanas nos processos de organização social e luta política, a partir da articulação entre pesquisa-ação e educação popular. A investigação fundamenta-se em referenciais das ciências humanas e sociais em diálogo com o Feminismo Camponês Popular, desenvolvido pelo Movimento de Mulheres Camponesas, evidenciando práticas formativas e organizativas orientadas à transformação social. Adota-se a pesquisa-ação como abordagem metodológica, com ênfase na participação ativa das participantes de pesquisa, na escuta sensível e no diálogo horizontal, possibilitando a construção coletiva do conhecimento e a articulação entre saberes acadêmicos e populares. A educação popular configura-se como referencial teórico-metodológico que orienta processos formativos críticos e emancipatórios. Evidenciam-se os processos históricos de organização das mulheres em Alagoas, destacando a atuação de coletivos, associações e redes na construção de estratégias de enfrentamento às desigualdades de gênero, classe e território. Analisa-se a centralidade da participação das mulheres na produção do conhecimento, bem como o papel da mística como dimensão pedagógica e mobilizadora, que articula espiritualidade, cultura e luta social, fortalecendo vínculos coletivos e sentidos de pertencimento. A sistematização de narrativas e experiências revela a pluralidade de trajetórias, os dilemas enfrentados e as estratégias de resistência construídas coletivamente, destacando a interseccionalidade como chave interpretativa. Discute-se, ainda, o potencial das práticas educativas desenvolvidas nos movimentos sociais, como assembleias, oficinas e espaços de formação, para o fortalecimento do protagonismo feminino, da autonomia e da construção de saberes coletivos. A análise indica que a articulação entre pesquisa-ação, educação popular e mística revolucionária contribui para processos de formação crítica e para a construção de alternativas sociais mais justas. Conclui-se pela necessidade de ampliar redes de apoio, aprofundar processos formativos e fortalecer a atuação coletiva das mulheres alagoanas. Palavras-chave: pesquisa-ação; educação popular; feminismo camponês popular; mulheres alagoanas; movimentos sociais.