IMPACTO DA PRECIPITAÇÃO NA ESTABILIDADE DAS ENCOSTAS DO MUTANGE E DO REGINALDO EM MACEIÓ/AL: ANÁLISE DOS PROCESSOS DE INSTABILIZAÇÃO E EVOLUÇÃO DOS MOVIMENTOS DE MASSA
Estabilidade de taludes; Solos Não Saturados; Infiltração; Poropressão; Modelagem Computacional
Este trabalho teve como objetivo analisar a influência da infiltração de água pluvial na estabilidade de taludes em solos não saturados, tomando como estudo de caso a Encosta do Mutange e o Vale do Reginaldo, ambos localizados no município de Maceió, Alagoas, áreas com histórico recorrente de movimentos de massa associados a eventos chuvosos intensos. Para tanto, foi realizada a caracterização geotécnica e hidráulica dos solos das duas encostas, por meio de ensaios de granulometria, limites de Atterberg, cisalhamento direto, permeabilidade de carga variável e determinação da curva de retenção de água pelo método do papel filtro, com ajuste do modelo de van Genuchten. Os perfis topográficos representativos de cada encosta foram obtidos a partir de um Modelo Digital do Terreno processado em ambiente SIG e utilizados na construção da geometria dos modelos numéricos desenvolvidos no software GeoStudio, nos módulos SEEP/W e SLOPE/W, permitindo a simulação do fluxo transiente e da estabilidade dos taludes sob diferentes condições geométricas e pluviométricas. Foram avaliadas quatro configurações de inclinação, terreno natural e cortes de 30°, 45° e 60°, submetidas a eventos de precipitação acumulada de 50, 75 e 100 mm, distribuídos em durações de 24 e de 6 horas. Os resultados demonstraram que a geometria do talude constitui o principal fator condicionante da estabilidade em ambas as encostas, com redução progressiva e expressiva do fator de segurança à medida que a inclinação dos cortes aumenta, independentemente do cenário pluviométrico considerado. A influência da precipitação, por sua vez, mostrou-se limitada pela reduzida condutividade hidráulica saturada dos solos, da ordem de 10⁻⁶ cm/s em ambas as encostas, o que restringiu o avanço da frente de umedecimento às camadas mais superficiais do perfil e resultou em fatores de segurança praticamente constantes entre os diferentes volumes precipitados. A duração dos eventos exerceu efeito secundário sobre a estabilidade, sendo mais perceptível na Encosta do Mutange do que no Vale do Reginaldo. A partir dos mecanismos de instabilização identificados, foram propostas medidas de mitigação voltadas ao controle da infiltração e à correção das condições geométricas mais críticas dos taludes analisados. Conclui-se que a avaliação da estabilidade de encostas em solos não saturados deve considerar, de forma integrada, a geometria do talude, as propriedades hidráulicas do material e o regime pluviométrico local, uma vez que a resposta do maciço não pode ser adequadamente descrita pela lâmina precipitada isoladamente.