EVIDÊNCIA DE VALIDAÇÃO DE CONTEÚDO E USABILIDADE DE UM WEBSITE SOBRE AUTOLESÃO NÃO SUICIDA EM ESTUDANTES
Comportamento autodestrutivo; saúde do adolescente; tecnologia educacional.
Introdução: A autolesão não suicida é um transtorno mental caracterizado por umcomportamento repetitivo de infligir lesões superficiais e dolorosas ao próprio corpo, com o objetivo de reduzir emoções negativas. Ao infligir lesões no próprio corpo, o indivíduo costuma relatar alívio imediato. Considerado um problema de saúde pública em estudantes em idade escolar, é um fator importante para o risco de suicidio. Com isso, é necessário criar estratégias para sensibilizar sobre esse sofrimento mental, e a criação de um website, que ajuda na capacitação dos profissionais das escolas no manejo, acolhimento e encaminhamento adequados desses estudantes se faz necessária. Objetivo: Analisar as evidências de validade de conteúdo e usabilidade de um website educacional sobre autolesão não suicida em adolescentes. Metodologia: Trata-se de estudo metodológico para construção e validação de conteúdo e usabilidade de um website educacional para proporcionar conhecimento sobre autolesão não suicida para profissionais das escolas. Para construção do website será utilizado a metodologia DADI (definição, arquitetura, design, implementação e avaliação). A pesquisa foi realizada em duas etapas: (1) desenvolvimento do website e (2) validação por juízes especialistas das áreas de saúde mental/saúde mental infanto-juvenil e por profissionais das escolas que apresentem estudantes adolescentes com autolesão não suicida. Para validação do website educacional, foi utilizado o instrumento Validação de Conteúdo Educativo em Saúde para ser utilizado com juízes especialistas, e para os profissionais das escolas foi utilizado um questionário de avaliação da usabilidade do website educacional adaptado de acordo com o System Usability Scale (SUS). Os juízes especialistas foram convidados a participar dessa pesquisa pelo e-mail disponibilizado na Plataforma Lattes. Eles foram selecionados por meio de critérios e cada juiz obteve pontuação mínima de quatro pontos: titulação acadêmica (doutorado: 2 pontos); experiência profissional de, pelo menos, dois anos na área (1 ponto); ser docente de cursos da área da saúde abordando saúde mental e/ou pediatria (1 pontos); e artigos publicados envolvendo o cuidado em autolesão não suicida e/ou saúde mental infanto-juvenil (1 pontos). Para seleção dos juízes profissionais das escolas foi considerado trabalhar e/ou experiência com estudantes adolescentes com autolesão não suicida. Após avaliação dos juízes foi realizada a análise estatística descritiva através dos cálculos de Razão de Validade do Conteúdo (CVR) e Índice de Validade do Conteúdo (IVC). Resultados: Os participantes do estudo foram 14 juízes especialistas e profissionais das áreas da educação e saúde. A média de idade dos juízes foi de 48,9 anos e a dos profissionais, 41,7 anos. O tempo médio de formação foi de 21,4 e 12,1 anos, respectivamente. A maioria era do sexo feminino (78,6% e 92,4%). Entre os juízes, predominavam enfermeiros (71,4%) e psiquiatras (21,4%), com elevada titulação (64,3% doutores e 35,7% pós-doutores). Já entre os profissionais das escolas e da saúde, destacaram-se psicólogos escolares (48,5%) e professores (30,3%). A avaliação da validade de conteúdo realizada pelos juízes revelou excelente adequação do website, com índices médios de validade de 0,98 (Objetivos), 0,99 (Estrutura/Apresentação) e 1,0 (Relevância), resultando em um índice geral de 0,99. Na análise de usabilidade, os profissionais demonstraram alta satisfação: 95,5% afirmaram que utilizariam o website com frequência, 93,9% consideraram-no fácil de usar e 92,4% relataram confiança durante a navegação. O escore total de usabilidade foi de 89,3%, classificando-o como excelente. As sugestões de melhoria envolveram ajustes de clareza textual, padronização de termos, inclusão de orientações sobre busca de ajuda, aprimoramento da navegação e acessibilidade (fontes, legendas, Libras, versão móvel), além de cuidados com linguagem e imagens para evitar gatilhos. Também foram aperfeiçoados vídeos e histórias em quadrinhos, assegurando conteúdo ético, inclusivo, informativo e adequado ao público-alvo. Conclusão: O website educacional sobre autolesão não suicida em adolescentes apresentou excelentes índices de validade de conteúdo e de usabilidade, demonstrando ser uma ferramenta confiável, acessível e relevante para o apoio à atuação de profissionais das escolas e da saúde. A tecnologia desenvolvida favorece a disseminação de informações baseadas em evidências, contribuindo para a sensibilização, capacitação e o manejo adequado de estudantes em sofrimento psíquico, configurando-se como um recurso inovador de promoção da saúde mental no ambiente escolar.