INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE EM PACIENTES EM PÓS-OPERATÓRIOS NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
Infecção hospitalar, Unidade de terapia intensiva, Fatores de risco, Pacientes cirúrgicos, Epidemiologia hospitalar, Controle de infecção.
Introdução: Em ambientes de terapia intensiva, particularmente entre pacientes cirúrgicos em pós-operatório, a ocorrência de infecções relacionadas à assistência à saúde assume proporções ainda mais preocupantes, devido à vulnerabilidade imunológica, à presença de dispositivos invasivos e à elevada complexidade dos procedimentos terapêuticos. Objetivos: Identificar a incidência e fatores associados às infecções relacionadas à assistência à saúde em pacientes no pós-operatório internados na unidade de terapia intensiva. Método: Trata-se de um estudo de coorte realizado em uma unidade de terapia intensiva adulta de um hospital geral e público no nordeste do Brasil, realizada a coleta dos dados entre março e setembro de 2025. Foram incluídos pacientes em pós-operatório imediato na Unidade de Terapia Intensiva, sendo acompanhados desde a internação na unidade de terapia intensiva até 30 dias enquanto enternado na intituição e em até 90 dias por desfecho clínico (alta, óbito e transferência). Excluíram-se menores de 18 anos, aqueles submetidos a reabordagem cirúrgica, drenagem, biópsias, desbridamentos e histórico de internação hospitalar anterior nos últimos 6 meses. A coleta de dados foi realizada por busca ativa na Unidade de Terapia Intensiva, três vezes por semana, com instrumento construído para o estudo, e complementada por informações do centro cirúrgico e dos boletins do serviço de controle de infecção relacionada à assistência à saúde. Realizou-se análise descritiva e inferencial, aplicando-se os testes do qui-quadrado de Pearson, exato de Fisher e regressão logística binária multivariada, adotando-se nível de significância de 5% (p < 0,05). Resultados: O perfil clínico dos pacientes demonstrou predominância de idosos (51,3%) e elevada carga de comorbidades, com destaque para hipertensão arterial sistêmica (65,1%), diabetes mellitus (55,9%) e cardiopatias (43,7%). Foram identificadas incidências de infecções relacionadas à assistência à saúde, destacando-se a infecção de sítio cirúrgico (21,7%), a infecção do trato urinário (21,0%), a pneumonia associada à ventilação mecânica (24,0%) e a infecção primária de corrente sanguínea (8,5%). O uso de dispositivos invasivos foi praticamente universal, incluindo cateter venoso central (90,8%), ventilação mecânica (59,9%) e cateter de duplo lúmen (76,8%), com tempo médio de utilização superior a nove dias em quase metade dos casos. Na análise multivariada, as variáveis ausência de profilaxia antibiótica inicial (OR = 4,77; p = 0,001), sepse (OR = 5,59; p = 0,003), reintubação (OR = 3,02; p = 0,047), infecção de sítio cirúrgico (OR = 2,69; p = 0,034) e fatores extrínsecos mostraram-se preditores da infecção relacionada à assistência à saúde em pacientes no pós-operatório. Esses resultados demonstram que as infecções relacionadas à assistência à saúde derivam de fatores interdependentes, envolvendo vulnerabilidade clínica, falhas em medidas profiláticas e complexidade assistencial. Conclusão: As infecções relacionadas à assistência à saúde em pacientes cirúrgicos na UTI revelam-se eventos complexos, determinados pela convergência de fragilidades clínicas, falhas assistenciais e fatores estruturais, sendo a ausência de profilaxia antibiótica, a reintubação e a sepse marcadores centrais de piores desfechos e maior tempo de internação. Esses achados evidenciam que a prevenção, sustentada por protocolos rigorosos, vigilância ativa e qualificação contínua das equipes, é determinante para a segurança do paciente e efetividade do cuidado intensivo.