QUALIDADE DE VIDA DE MULHERES ATINGIDAS PELO DESASTRE SOCIOAMBIENTAL EM MACEIÓ-AL: UMA ANÁLISE SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DE CALLISTA ROY
Enfermagem, Qualidade de vida, Mulheres e Vulnerabilidade.
O desastre socioambiental decorrente da extração de sal-gema em Maceió, Alagoas, ocasionou deslocamentos compulsórios e impactou sobre as condições de vida e saúde da população atingida direta e indiretamente, especialmente das mulheres. Este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados à qualidade de vida de mulheres afetadas pelo desastre socioambiental, à luz da Teoria da Adaptação de Callista Roy. Trata-se de um estudo transversal e analítico, desenvolvido no âmbito do Programa “Nosso Chão, Nossa História”, coordenado pelo Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais e executado pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), em parceria com a Universidade Federal de Alagoas. Os dados foram obtidos por meio da aplicação de questionário sociodemográfico e do instrumento WHOQOL-BREF, sendo submetidos à análise estatística descritiva e inferencial. Os resultados evidenciaram associações entre características sociodemográficas e os domínios da qualidade de vida, demonstrando que o desastre produziu repercussões em múltiplas dimensões da vida das participantes. À luz da Teoria da Adaptação de Roy, os domínios do WHOQOL-BREF foram interpretados nos modos adaptativos fisiológico, autoconceito, função de papel e interdependência, evidenciando que a qualidade de vida no contexto pós-desastre constitui um fenômeno adaptativo, influenciado tanto pelos estímulos ambientais quanto pelos recursos sociais e psicológicos prévios. Conclui-se que os desastres socioambientais afetam de forma desigual grupos vulnerabilizados, reforçando a necessidade de ações intersetoriais e intervenções de Enfermagem voltadas à promoção da saúde, fortalecimento dos mecanismos adaptativos e redução das iniquidades em saúde, especialmente para as mulheres.