DINÂMICA FAMILIAR DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM ESTOMAS INTESTINAIS: UMA ANÁLISE À LUZ DO MODELO CALGARY
Família. Relações familiares. Saúde da Criança. Saúde do Adolescente.
Introdução: A infância e adolescência são os períodos mais sensíveis para o crescimento e desenvolvimento humano. Porém, as transformações esperadas para estas fases podem ser impactadas quando a criança ou adolescente é acometido por uma condição crônica, como a presença de estoma de eliminação. Esses impactos estão diretamente relacionados à alteração na dinâmica familiar, em que é possível observar mudanças de rotina dos familiares, bem como sobrecarga de funções ou mesmo mudanças de papéis, justificados pela necessidade do desenvolvimento de competências técnicas e emocionais que até então não eram exigidas pela rotina familiar. Esse contexto requer compreensão ampliada sobre o processo saúde-doença, orientando o planejamento das intervenções de profissionais de saúde centradas nas necessidades, forças e possibilidades de adaptação da família, Diante deste entendimento, levantou-se a seguinte pergunta de pesquisa: “como ocorre a dinâmica familiar de crianças e adolescentes com estomas intestinais sob a óptica do modelo de Calgary em uma população do estado de Alagoas?” Objetivo: Compreender a dinâmica familiar e a rede social de apoio de crianças e adolescentes com estoma intestinal em uma população do estado de Alagoas à luz do Modelo Calgary de Avaliação Familiar. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa orientada pelo referencial teórico-metodológico do Modelo Calgary de Avaliação Familiar (MCAF) com familiares de crianças e adolescentes com estomas intestinais atendidas em um serviço especializado em reabilitação localizado em um município alagoano. As entrevistas foram conduzidas de forma presencial e online por meio de um roteiro semiestruturado baseado no MCAF, entre os meses de agosto e dezembro de 2025, após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 035583/2025). Participaram 05 núcleos familiares de crianças e 01 núcleo de adolescentes. Resultados: Observou-se representação de relações fortes com a figura materna. O pai representou a função de provedor de recursos, distanciando-o dos cuidados diretos com o filho. Os irmãos mais velhos assumiram papéis de cuidadores e contribuíram financeiramente na aquisição de equipamentos nos cuidados ao estoma, assim como o núcleo familiar estendido, em que a família materna foi mencionada como principal rede de apoio. A funcionalidade familiar estruturou-se nas seguintes categorias: a) funcionalidade da vida materna: dedicação ao cuidado do filho, sobrecarga e reestruturação da rotina; b) mudanças funcionais familiares no contexto do trabalho; c) funcionalidade familiar para o cuidado direto à criança/adolescente com estoma. Conclusão: A confecção do estoma promoveu mudanças na funcionalidade, estrutura e no desenvolvimento familiar, promovendo uma reorganização constante das relações dos papéis e das responsabilidades assumidas pelos integrantes do núcleo familiar.