PPGAU PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO Telefone/Ramal: 82-99331-3518

Banca de DEFESA: RAYCE KELLI DE MELO TEIXEIRA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : RAYCE KELLI DE MELO TEIXEIRA
DATA : 21/08/2026
HORA: 15:00
LOCAL: videoconferência
TÍTULO:

QUILOMBISMOS TRANSITÓRIOS:
apropriação, transformação e resistência no busão em Maceió


PALAVRAS-CHAVES:

Palavras-chave: hip-hop; apropriação; resistência; transporte público; Maceió.


PÁGINAS: 151
RESUMO:

Esta dissertação investiga a dinâmica do rap improvisado nos ônibus de Maceió
como tática de apropriação, transformação e resistência, com o objetivo de
compreender o que essa prática revela sobre as rugosidades da rede de transporte
público da capital alagoana. A pesquisa combina observação participante,
entrevistas, mapeamentos de rotas e registros fotográficos, tendo como ponto de
partida o trabalho de MC Melanina (Esmeralda Emanuele), 22 anos, moradora do
bairro Cruzeiro do Sul, na divisa entre Rio Largo e Maceió, que se apresenta nos
transportes coletivos das zonas centrais da cidade. As análises fundamentam-se na
defesa do hip-hop como expressão cultural periférica e comunicação insurgente dos
chamados "quilombos urbanos" (Moassab, 2008), em diálogo com a compreensão
das periferias como quilombos contemporâneos, vivos e biointerativos (Bispo,
2015). A cidade é observada a partir da dualidade estrutural entre espaços
luminosos, onde se concentram capital e poder, e espaços opacos, territórios
periféricos marcados pela precariedade material, mas também por solidariedade,
criatividade e resistência (Santos, 2006). Para refletir sobre os atravessamentos
entre a artista e a pesquisadora, a dissertação mobiliza o conceito de sujeitas
periféricas (D'Andrea, 2020), as contribuições de Beatriz Nascimento (1974, 1976,
1989) sobre as sobreposições de raça, gênero e territorialidade, e a noção de
cartografia da ação (Ribeiro et al., 2002). Foi observado que Melanina desenvolve,
juntamente com outros trabalhadores informais dos ônibus, táticas próprias de
negociação e aliança com motoristas, passageiros e comerciantes locais, resistindo
à colonização cotidiana e à invisibilidade imposta pelo transporte coletivo. Ao rimar
nos ônibus, ela contracoloniza um dos símbolos mais concretos da exclusão
periférica, o transporte público precário que conecta a periferia ao centro, por meio
da comunicação insurgente do hip-hop. Transforma esses espaços opacos, que
rasgam os espaços luminosos da cidade, em territórios de disputa simbólica e
afirmação identitária, evidenciando o protagonismo das jovens periféricas não
apenas na construção de uma epistemologia periférica, mas também na produção
de práticas contracoloniais na cidade. A dissertação contribui para os estudos
urbanos ao deslocar o olhar do centro para as brechas, do espaço luminoso para o
espaço opaco em movimento, e para as políticas públicas de mobilidade e cultura
ao evidenciar que as práticas insurgentes dos trabalhadores informais dos ônibus
não são desvios a serem corrigidos, mas saberes legítimos que apontam outras
formas de habitar e circular a cidade.


MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - ANDRÉIA DA SILVA MOASSAB - UNILA
Interno(a) - 1144449 - FLAVIA DE SOUSA ARAUJO
Presidente - 3391345 - SAMIRA BUENO CHAHIN
Interno(a) - 1121375 - WALTER MATIAS LIMA
Notícia cadastrada em: 20/08/2026 12:25
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