GRAFITE, PICHAÇÃO E CIDADE: OS DISCURSOS MATERIALIZADOS NO CORPO-CIDADE-SUJEITO E A MEMÓRIA DISCURSIVA QUE CONSTITUI O ESPAÇO URBANO DE CÁCERES-MT-BRASIL
Linguagem; Análise de discurso; Saber urbano; Grafite e Pichação; Cáceres-MT
Esta pesquisa científica, a nível de doutorado, filia-se à área de concentração de linguística e respectiva linha de pesquisa de discurso: sujeito, história e ideologia, do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Linguística e Literatura (PPGLL), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Objetivamos, neste estudo, produzir uma discussão que reflita acerca dos discursos que permeiam, atravessam e ressignificam, por meio de grafites e pichações no corpo-cidade materializados, os limites sociais, históricos, políticos e ideológicos de Cáceres, localizada na região Oeste do Estado de Mato Grosso, Brasil. Nosso olhar investigativo está atrelado às marcas que tatuam o corpo urbano – os grafites –, bem como as pichações que, sobrepostas aos grafites e, vice-versa, remontam sentidos que dizem sobre sujeito, língua e história. Como metodologia, pautamo-nos pela descrição e análise do material, comporto por fotografias coletadas in loco, de grafites e pichações, os quais são sustentados pelos constructos da teoria de análise de discurso materialista, a partir dos ensinamentos de Michel Pêcheux (2016; 1995; 1975) e de Eni Orlandi (2018; 2012a; 2012b; 2000; 2004). A partir da Teoria de Análise de Discurso, pêcheuxtiana e orlandiana, entendemos o espaço urbano enquanto um corpo – simbólico –, e constitutivo de sujeitos, discursos e sentidos, os quais constituem as ruas, pilastras, ruínas e as próprias margens do rio Paraguai. Estudamos sobre os diversos aspectos que se confluem neste espaço e fazem ressignificar os próprios espaços e sujeitos que nele necessitam transitar. Desses espaços, ressaltamos a arquitetura ortogonal da cidade histórica atrelada às manifestações socioculturais dos grafites e das pichações, bem como acerca do modo como essas marcas pantaneiras reconstroem uma memória discursiva de/da e sobre cidade. Imbuídos, também, por aspectos teórico-metodológicos a partir de outros domínios do conhecimento científico, expandimos as compreensões que se têm dos grafites e das pichações, sobretudo, a que mais nos interessa, a de que as marcas no corpo da cidade estão firmados(as), muitas vezes, no rodapé citadino, à beira da calçada. Gestamos pela compreensão desta proposta, uma vez que quer se compreender acerca das formas e dos diferentes silêncios que se movimentam no espaço em questão. Discutimos as especificidades do discurso arquitetônico e dos movimentos instituídos no/do espaço da materialidade histórica da cidade mato-grossense, assim como das marcas e manifestações sociais, históricas e culturais nela inscritos(as). No que concerne às condições de produção dos grafites e das pichações pantaneiras, observamos as relações que se instauram entre corpo, memória discursiva, formações discursivas e ideológicas. Lançamo-nos, também, sobre as questões de apagamento e acinzentamento dessas marcas, frente a ordens legislativas, ambientais e do que é postulado, ora enquanto arte-grafite, ora enquanto vandalismo-picho, na movência de sujeitos, discursos e sentidos que se reinscrevem no campo ideológico e político da cidade. A partir desses atravessamentos, esperamos que ressoem as vozes mais profundas entranhadas nas marcas da urbe cacerense.