CONSTRUÇÕES NARRATIVAS DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO: UMA ANÁLISE DISCURSIVA DA COBERTURA JORNALÍSTICA DO G1 NOS CASOS DE FEMINICÍDIO
feminicídio; discurso jornalístico; Análise de Discurso Crítica; representações de gênero.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar de que maneira o feminicídio é representado discursivamente em reportagens jornalísticas, buscando compreender como os sentidos sobre a violência de gênero são construídos, atualizados ou naturalizados nos meios de comunicação. Reconhecendo o papel fundamental da mídia na formação da opinião pública e na conformação de realidades sociais, o estudo visa aprofundar a compreensão sobre como as escolhas narrativas e linguísticas do jornalismo podem influenciar a percepção social. Para tanto, fundamenta-se teoricamente na Análise de Discurso Crítica (Fairclough, 2001; 2003; 2010), articulada à perspectiva feminista (Butler, 2003; Saffioti, 2015; Crenshaw, 2002) e à Linguística Aplicada crítica e INdisciplinar (Moita Lopes, 2006), compreendendo o discurso como prática social situada e ideologicamente marcada. A pesquisa ancora-se também em ferramentas analíticas mais específicas, como a Teoria dos Atores Sociais (van Leeuwen, 1997) e na Teoria da Legitimação Discursiva (van Leeuwen, 2008), com o intuito de descrever os recursos linguístico-discursivos empregados nas reportagens, como processos de nominalização, padrões de agenciamento e enquadramentos narrativos. De abordagem qualitativa, com base na pesquisa documental e com viés feminista (Narvaz; Koller, 2006; Cameron et al., 1992), a investigação examina reportagens veiculadas no G1 nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2023, selecionadas a partir de critérios previamente estabelecidos. Busca-se, assim, analisar os mecanismos de construção discursiva presentes nas matérias jornalísticas, identificando de que maneira tais escolhas contribuem para a naturalização ou a problematização da violência de gênero.