Formação ecológica de professores: Pelo ensino de espanhol para o bem-viver e para a paz
formação de professores de espanhol; autoetnografia; linguística aplicada indisciplinar; neoliberalismo; texto teatral.
Muito se tem discutido acerca da necessidade de estratégias que promovam um ensino mais participativo, capaz de fomentar reflexão, criticidade, responsabilidade e consciência em nossas alunas e nossos alunos. Em um cenário marcado por tensões e controvérsias, Sousa Santos (2015) nos recorda que não será com o mesmo pensamento que temos sustentado até aqui que conseguiremos transformar a realidade. Assim, compreende-se que a repetição de modelos já conhecidos, testados e esgotados não contribuirá para a superação desses desafios. Torna-se imprescindível, portanto, repensar caminhos, reelaborar estratégias e revisitar práticas consolidadas sob novos prismas, a fim de possibilitar transformações mais profundas no cenário educacional. Este trabalho, de natureza autoetnográfica, tem como objetivo refletir sobre a formação de professores, ancorada na filosofia do bem viver e nos estudos para a paz, em um contexto de ressignificação do ensino de língua espanhola no estado de Alagoas. A pesquisa teve como lócus uma formação continuada de professores de espanhol, oferecida pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Alagoas, nos anos de 2022 e 2023. Participaram dos encontros formativos docentes de três municípios alagoanos, a partir de uma proposta ecológica, no sentido de uma ecologia de saberes, que buscou articular a perspectiva do bem viver e os estudos para a paz. O corpus da pesquisa é composto pelas gravações em áudio dos encontros, pelos planos e diários de aula produzidos no processo formativo, bem como por dois trabalhos realizados por docentes participantes a partir das discussões realizadas. A partir deste estudo, foi possível perceber que se pode pensar em uma formação de professores que promova o diálogo entre diferentes saberes e proporcione o repensar do ensino da língua espanhola para além dos muros escolares, promovendo a reflexão, o questionamento, o pensamento crítico e a transformação dos contextos em que os alunos se encontram. Mas, para além disso, o fortalecimento das professoras e dos professores da língua diante da luta pela permanência do espanhol nos currículos escolares.