O DISCURSO CAPACITISTA SOBRE O CORPO DE MULHERES: UMA ANÁLISE SOBRE OS DIZERES EM CIRCULAÇÃO NA REDE SOCIAL- INSTAGRAM
Capacitismo; mulher com deficiência; discurso; Instagram; corpo feminino.
A pesquisa analisa os discursos capacitistas produzidos sobre o corpo da mulher com deficiência na rede social Instagram, considerando o contexto contemporâneo de intensificação da circulação de sentidos nas mídias digitais e a permanência histórica de práticas discriminatórias dirigidas às pessoas com deficiência, especialmente às mulheres, que vivenciam uma condição agravada de vulnerabilidade em razão da articulação entre gênero e deficiência. O estudo tem como objetivo geral examinar os efeitos de sentido presentes nos discursos que (re)produzem evidências e estereótipos acerca do corpo de mulheres com deficiência, buscando investigar como tais discursos se articulam e circulam na plataforma, sob determinadas condições de produção, bem como analisar os processos de naturalização da diferença corporal e os modos de constituição de sentidos sobre corpo, gênero e deficiência, além de problematizar as formas de resistência e de fortalecimento identitário frente à discursividade capacitista. Fundamenta-se teoricamente na Análise do Discurso de linha francesa, especialmente nos pressupostos de Michel Pêcheux, articulando as categorias de formação discursiva, formação ideológica, memória discursiva e condições de produção, em diálogo com discussões sobre corponormatividade, capitalismo estético, patriarcado e mercantilização do corpo. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, com base na análise discursiva de comentários publicados, entre os anos de 2020 e 2024, em perfis públicos de mulheres com deficiência física que possuem mais de cinquenta mil seguidores na referida rede social, considerando o Instagram como espaço de circulação, dominação e também de resistência simbólica. Por se tratar de pesquisa em andamento, os resultados parciais indicam a recorrência de sentidos que reiteram padrões normativos de corpo, reforçam hierarquias corporais e evidenciam a instrumentalização do corpo feminino com deficiência no interior de uma lógica capitalista-patriarcal, ao mesmo tempo em que sinalizam a emergência de discursos anticapacitistas que tensionam tais formações discursivas e promovem processos de ressignificação e empoderamento. Conclui-se, de forma provisória, que a análise discursiva do material selecionado contribui para compreender como a ideologia opera na naturalização do capacitismo e como as redes sociais digitais se configuram como arenas de disputa simbólica, nas quais se confrontam práticas de exclusão e movimentos de transformação social, ampliando o debate acadêmico acerca da relação entre linguagem, corpo, gênero e deficiência.