A ARENA DISCURSIVA DA CORPOREIDADE DE MULHERES NEGRAS NA INTERPRETAÇÃO DE LIBRAS: QUESTÕES DIALÓGICAS
TILSP; Mulheres Negras; Análise Dialógica do Discurso; Corpo; Interpretação em Libras.
Neste trabalho, investigo os discursos produzidos por mulheres negras Tradutoras e Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais/Português (TILSP), a fim de compreender como seus corpos e práticas profissionais se constituem como arenas de disputas ideológicas no contexto educacional. Este estudo, se desenvolve no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), parte do entendimento de que a atuação da TILSP ultrapassa a mediação linguística. Ela envolve processos históricos, sociais e ideológicos que moldam a identidade e o lugar que essas mulheres negras ocupam em diferentes espaços de atuação. Dessa forma, a pesquisa se fundamenta nos preceitos da Análise Dialógica do Discurso (ADD), utilizando conceitos como enunciado e diálogo (Bakhtin (2011), relações dialógicas e signo ideológico (Volóchinov, 2017). Ao mesmo tempo a pesquisa dialoga com autoras que discutem raça, gênero e trabalho, como, Barbara Carine (2023) , Lélia Gonzalez (2020), Angela Davis (2016) e bell hooks (2019) levando em consideração que os sentidos que são produzidos, são construídos nas relações sociais e nos discursos que circulam sobre os corpos dessas profissionais. Nesse sentido, busco analisar como as experiências narradas pelas próprias TILSP revelam silenciamentos, tensões e formas de resistência em seu percurso profissional. Trago como objetivo geral construir sentidos aos corpos e suas práticas, compreendendo-os como espaços de disputas ideológicas no contexto de atuação. Como objetivos específicos, busco problematizar o sentido sobre o corpo da intérprete no momento de atuação; questionar aspectos de raça e gênero quando da atuação dessas mulheres; tensionar investigar as tensões e posicionamentos que surgem dessas narrativas e explorar algumas estratégias de embate no posicionamento utilizado por essas mulheres na atuação. Metodologicamente o trabalho adota uma abordagem qualitativa, e se insere no campo da Linguística Aplicada (Moita Lopes, 2006), compreendida como um campo de investigação comprometido com questões sociais e com sujeitos historicamente situados. A metodologia da pesquisa se propõe a construir um espaço de diálogo e escuta sobre experiências, trajetórias e percepções em relação à atuação como TILSP de quatro mulheres negras intérpretes por meio de entrevistas narrativas. Espera-se que esta pesquisa contribua para aprofundar as discussões sobre corpo, raça e linguagem no campo da Tradução e Interpretação em Libras, evidenciando como os discursos na atuação dessas profissionais revelam processos de construção de sentidos, formas de posicionamentos e tensões ideológicas na atuação como intérpretes, além de poder evidenciar que o corpo de mulheres negras TILSP não é apenas um instrumento de comunicação e mediação linguística, mas também um espaço construído por disputas ideológicas.