VARIAÇÃO ESTILÍSTICA E FEMINILIDADES ALAGOANAS: UMA ANÁLISE DE IDENTIDADES CISGÊNERAS, TRANSGÊNERAS E TRAVESTIS DIANTE DA PALATALIZAÇÃO PROGRESSIVA DAS OCLUSIVAS ALVEOLATES /T/ E /D/
Palatalização das oclusivas alveolares; Feminilidades alagoanas; Identidade de gênero cisgêneras e não cisgêneras; Variação estilística.
Neste trabalho, analisamos o comportamento linguístico de identidades femininas cisgêneras, transgêneras e travestis diante do processo de palatalização progressiva das oclusivas alveolares /t/ e /d/ em Alagoas, com o objetivo de investigar a variação e o significado socioestilístico associados à alternância entre as formas palatalizadas e não palatalizadas nas práticas linguísticas dessas identidades. Além disso, buscamos compreender se a palatalização progressiva está envolvida no processo de (re)construção de personas dessas sujeitas. Para isso, temos como objetivos específicos: (i) averiguar quais identidades femininas usam mais a variante palatalizada ou a forma oclusiva e analisar, qualitativamente, quais fatores socioculturais podem atuar como influenciadores do seu comportamento linguístico; e (ii) analisar a variável linguística em diferentes situações de fala, os seus significados socioestilísticos e como eles são utilizados por essas identidades femininas na construção de personas. Metodologicamente, serão analisados dados de fala de oito colaboradoras, sendo quatro identidades femininas cisgêneras e quatro não cisgêneras. Nesse viés, a coleta de dados se dará por meio de dois tipos de gravações, a saber: a entrevista sociolinguística e as gravações do tipo D2, isto é, diálogos entre dois informantes. O referencial teórico-metodológico apoia-se na Sociolinguística, com base nos trabalhos de Eckert (1989, 1998, 2000, 2005, 2012) e Labov (2008 [1972]), e nos estudos de gênero, especialmente nas contribuições de Butler (2023). Como resultados almejados, esperamos que a variação linguística não ocorra em uma direção uniforme; assim, a suposta pró-normatividade associada à fala feminina não se consolidaria de forma homogênea. Ademais, acreditamos também, tomando por base Podesva (2007), que o contexto de fala, a temática abordada e o público tenham influência no processo de alternância estilística das identidades femininas e no significado socioestilístico de seus usos. Assim, esperamos que a palatalização progressiva seja usada por essas colaboradoras no processo de (re)construção de suas personas.