RELAÇÃO ENTRE O ÍNDICE INFLAMATÓRIO DA DIETA, MARCADORES SÉRICOS DE INFLAMAÇÃO E DESFECHOS PERINATAIS ADVERSOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Mediadores da Inflamação; Complicações na Gravidez; Ingestão de Alimentos; Fatores de Risco.
A gestação constitui um período de profundas adaptações imunológicas, metabólicas e hormonais que visam garantir o adequado desenvolvimento do feto e a manutenção da saúde materna. Nesse contexto, a inflamação apresenta caráter duplo, sendo essencial para processos fisiológicos da gravidez, porém, quando exacerbada ou desregulada, pode contribuir para a ocorrência de complicações perinatais relevantes. Entre os fatores modificáveis capazes de modular esse equilíbrio destaca-se a alimentação, cuja composição influencia diretamente nas vias imunometabólicas, o estresse oxidativo e a produção de citocinas. Diante disso, o Índice Inflamatório Dietético (IID) emergiu como uma ferramenta capaz de estimar o potencial inflamatório da dieta, classificando padrões alimentares em pró ou anti-inflamatórios a partir da relação entre nutrientes, compostos bioativos e marcadores séricos de inflamação. Assim, a presente revisão teve como objetivo analisar criticamente as evidências sobre a associação entre o IID, biomarcadores inflamatórios e desfechos gestacionais. A busca sistemática foi realizada nas bases PubMed, Embase, Scopus, LILACS e CINAHL (via EBSCOhost), com protocolo previamente registrado no PROSPERO. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada segundo os critérios do Instituto Joanna Briggs. Foram identificados 9.947 registros, dos quais 20 compuseram a síntese final. Dessa forma, os resultados demonstraram que escores mais elevados de IID ou de sua versão ajustada para energia associaram-se a maiores concentrações de marcadores pró-inflamatórios, especialmente proteína C reativa (PCR), interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). Paralelamente, observou-se aumento do risco para condições como diabetes mellitus gestacional (DMG), pré-eclâmpsia (PE), trabalho de parto prematuro (TPP) e baixo peso ao nascer (BPN). Em conjunto, os achados reforçam o papel do potencial inflamatório da dieta como determinante relevante da saúde materno-fetal e evidenciam o IID como instrumento útil na identificação de grupos de risco e no direcionamento de estratégias preventivas durante o pré-natal. Entretanto, a heterogeneidade metodológica observada entre os estudos aponta para a necessidade de padronização das medidas de consumo alimentar e da avaliação dos desfechos, bem como para o desenvolvimento de investigações longitudinais que permitam maior inferência causal.