BIODISPONIBILIDADE DO FERRO DIETÉTICO E SUA ASSOCIAÇÃO COM ANEMIA EM PESSOAS IDOSAS RESIDENTES NA COMUNIDADE EM MACEIÓ/AL
Pessoa idosa; Anemia; Ferro na Dieta; Biodisponibilidade.
O envelhecimento populacional acelerado e a transição epidemiológica no Brasil tornam a anemia uma condição de grande impacto na saúde da pessoa idosa, mas essa dimensão ainda é negligenciada em estudos nacionais, especialmente em populações vulneráveis como a do Nordeste brasileiro. Diante disso, está dissertação teve como objetivo principal analisar a associação entre a biodisponibilidade do ferro dietético e a ocorrência de anemia em pessoas idosas residentes em comunidade em Maceió, Alagoas. Trata-se de um estudo transversal, com análise secundária do banco de dados de um projeto maior denominado “I Diagnóstico Alagoano de Saúde, Nutrição e Qualidade de Vida da Pessoa Idosa”, com uma amostra final de 98 participantes com 60 anos ou mais. A ingestão alimentar foi avaliada por meio de registro alimentar de três dias, analisado com suporte de álbum fotográfico, e a biodisponibilidade do ferro foi estimada pelo modelo preditivo de Hallberg e Hulthén, que integra o consumo de ferro (heme e não-heme) e dos principais moduladores da absorção (vitamina C, fitatos, polifenóis, cálcio e carnes). A anemia foi diagnosticada conforme os critérios da Organização Mundial da Saúde. Os resultados revelaram uma ingestão mediana de ferro total abaixo do recomendado (7,47 mg/dia), com predomínio da forma não-heme e alto consumo de inibidores da absorção, como fitatos e polifenóis. A prevalência de anemia foi de 9,2%. Contudo, não foi encontrada associação estatisticamente significativa entre o total estimado de ferro biodisponível e a ocorrência de anemia, nem com variáveis sociodemográficas, de estilo de vida ou estado nutricional. Uma tendência marginal foi observada para o uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia). Conclui-se que, nesta amostra, a anemia não pode ser atribuída predominantemente a fatores dietéticos, reforçando a natureza complexa e multifatorial do problema na pessoa idosa. Os achados sugerem que condições clínicas, alterações fisiológicas próprias do envelhecimento e o uso de medicamentos podem ter maior influência no desfecho hematológico do que a composição da dieta isoladamente. Portanto, a investigação e o manejo da anemia nessa população devem adotar uma abordagem integral, considerando comorbidades, estado inflamatório e interações farmacológicas, além de aspectos nutricionais. Recomenda-se que sejam realizados estudos prospectivios futuros, os quais incorporem biomarcadores inflamatórios e utilizem modelos preditivos adaptados à fisiologia da pessoa idosa para melhor compreensão das relações de causalidade.