MEDIDAS CRONONUTRICIONAIS E SUA ASSOCIAÇÃO COM IMC: EXPLORANDO FATORES MEDIADORES
Ritmo circadiano; Crononutrição; Ingestão alimentar; Alimentação com Horário Restrito.
A prevalência da obesidade tem aumentado de forma significativa mundialmente. Apesar dos esforços, nenhum país mostrou-se eficaz na solução desse problema, evidenciando a necessidade de buscar novas estratégias na prevenção e cuidado da pessoa com obesidade. Nas últimas décadas, estudos da crononutrição vêm fornecendo novos insights ao sugerirem que aspectos temporais da alimentação, como a janela alimentar e os intervalos entre a primeira e a última refeição em relação ao sono, são relevantes, visto que a sincronização dos ritmos circadianos com o ciclo jejum/alimentação potencializa o metabolismo e, consequentemente, a perda de peso. Assim, esse estudo objetiva investigar as relações entre as medidas crononutricionais e o índice de massa corporal (IMC). Utilizaram-se dados da etapa 2023-2024 da Pesquisa Nacional SONAR-Brasil, que objetiva investigar aspectos cronobiológicos relacionados ao sono, alimentação e nutrição de adultos brasileiros. Trata-se de uma pesquisa transversal, exploratória de base populacional, com coleta de dados exclusivamente em ambiente virtual. Os critérios de inclusão foram: ser brasileiro, residir no Brasil, ter idade entre 18 e 65 anos e não ser gestante. Para a análise de dados, foram excluídos os trabalhadores por turno e em turno, sendo a amostra final integrada por 5.260 participantes. O recrutamento ocorreu por meio do formulário Google Forms, integrado por quatro blocos: caracterização, saúde e estilo de vida, características do sono, horários de alimentação e sono. As respostas geradas foram automaticamente armazenadas em planilhas compatíveis com o Microsoft Office Excel e posteriormente transferidas para o Software estatístico Stata 18 para análise de dados. As probabilidades marginais ajustadas de excesso de peso (IMC > 24,9 kg/m²) foram estimadas de acordo com os tercis de cada variável relacionada ao horário das refeições. A forma da associação entre esses preditores e o IMC foi analisada por meio de splines cúbicos restritos. Realizaram-se também análises de mediação para avaliar os efeitos de potenciais mediadores relacionados ao estilo de vida. Dos participantes, 49% apresentavam excesso de peso. Os intervalos entre o primeiro e o último evento alimentar em relação ao ponto médio do sono estiveram positivamente associados ao IMC e à probabilidade de excesso de peso, enquanto a duração da janela alimentar esteve associada negativamente. A qualidade da dieta foi o mediador mais forte na associação entre o intervalo do ponto médio do sono e a primeira refeição e o IMC (9,88%), seguida pela atividade física (1,55%). Similarmente, o horário de dormir (– 138,8%), a duração do sono (–25,23%) e a qualidade da dieta (–8,10%) mediaram a relação entre o intervalo da última refeição e o ponto médio do sono e o IMC. Os efeitos da janela alimentar foram mediados principalmente pela duração do sono (–18,42%), qualidade da dieta (2,95%) e horário de dormir (2,06%). Esses achados sugerem que realizar a primeira e a última refeição mais próximas ao sono, assim como manter uma janela alimentar mais longa podem associar-se ao IMC mais baixo e a menor prevalência de excesso de peso.