PARÂMETROS CLÍNICOS, ÂNGULO DE FASE E ANÁLISE VETORIAL DE IMPEDÂNCIA BIOELÉTRICA DE ADOLESCENTES COM CARDIOPATIA CONGÊNITA: UM ESTUDO TRANSVERSAL
Cardiopatias congênitas; Adolescentes; Composição corporal; Ângulo de Fase; Bioimpedância.
As cardiopatias congênitas (CC) são anomalias cardíacas e vasculares que causam alterações funcionais e estruturais de complexidade variada. Em nível celular, a redução do fluxo sanguíneo e da oxigenação pelas CC pode potencializar déficits nutricionais, que podem ser interpretados pelo ângulo de fase (AnF) e a análise do vetor de impedância bioelétrica (BIVA). As CC frequentemente limitam a atividade física e impactam a rotina do paciente, o que pode agravar de saúde, como a composição corporal. Este estudo teve como objetivo analisar a associação entre os aspectos clínicos da CC e os valores de AnF e BIVA em adolescentes. Estudo transversal, realizado no serviço de referência para tratamento no Estado de Alagoas. A população estudada foi composta por 92 adolescentes com CC entre 12 e 18 anos. Foram realizadas medidas de bioimpedância tetrapolar (resistência e reatância) para cálculo do AnF e BIVA. Dados das CC foram obtidos, por meio de entrevista e prontuário médico. Foram coletados também dados sociodemográficos (sexo, renda, idade, tempo de tela) e medidas antropométricas (estatura, peso, perímetros e dobras cutâneas corporais). No presente estudo, foi observada associação negativa entre o AnF e a complexidade da CC na análise ajustada (β= -0,54; p= 0,02), no sexo feminino, os modelos ajustados por idade, maturação somática e nível de atividade física explicaram 11% da variabilidade do AnF. Além disso, identificou-se associação negativa entre o AnF e o número de internações (β= -0,64; p= 0,03), com o modelo ajustado explicando 10% da variabilidade do AnF. A BIVA demonstrou deslocamento significativo para o quadrante de desidratação e menor massa celular corporal no grupo de moderada/alta complexidade (p= 0,0036). No grupo com histórico de cateterismo, observou-se deslocamento vetorial indicativo de padrão de desidratação com massa celular corporal preservada (p= 0,011). Conclui-se que os aspectos clínicos da patologia (complexidade e número de internações) são associados ao comprometimento da saúde celular. Alterações na hidratação e na massa muscular estão associadas à maior gravidade das CC. Esses achados reforçam a necessidade de avaliar a composição corporal no acompanhamento clínico de adolescentes com CC.