TRABALHO DOMÉSTICO:
Uma herança colonial e escravista
Trabalho doméstico; Mulheres negras; Colonização; Racismo; Capitalismo.
O estudo analisa as raízes históricas da colonização e do escravismo que destinaram as mulheres negras ao trabalho doméstico, ao destacar como o capitalismo patriarcal racista estrutura a divisão sexual e racial do trabalho, no Brasil. Fundamenta-se na perspectiva feminista antirracista, com o objetivo de compreender a permanência de elementos coloniais e escravistas na inserção das mulheres negras em ocupações precarizadas, nos tempos atuais. Nessa perspectiva os objetivos propõe-se a, de forma geral, analisar as raízes históricas da colonização e do escravismo que destinaram as mulheres negras ao trabalho doméstico no Brasil e, especificamente, compreender a formação sócio-histórica brasileira a partir do processo de colonização e escravidão; apreender o lugar historicamente ocupado pelas mulheres negras no mercado de trabalho; refletir sobre as contradições atuais do trabalho doméstico remunerado, considerando avanços legais, fragilidades no reconhecimento profissional e casos contemporâneos que evidenciam a continuidade da exploração. Do ponto de vista teórico-metodológico, fundamenta-se no método materialista- histórico(Marx, 2007)em diálogo com o feminismo marxista antirracista de Federici(2019). O trabalho evidencia que o serviço doméstico, associado às mulheres negras desde o período escravocrata, perpetua desigualdades até a contemporaneidade, mesmo após avanços legais como a Emenda Constitucional nº 72/2013 e a Lei Complementar nº 150/2015. Demonstra-se que a formação sócio-histórica brasileira e suas bases coloniais influencia, na atualidade, a divisão sexual e racial do trabalho. Traz-se evidências referenciais com a trajetória de luta de Laudelina de Campos Melo e casos contemporâneos como o de Sônia Maria de Jesus.