A ENGRENAGEM INVISÍVEL DO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA: trabalho reprodutivo, cuidado e classe trabalhadora à luz da Teoria da Reprodução Social
Teoria da Reprodução Social; trabalho reprodutivo; classe trabalhadora; divisão sexual e racial do trabalho; mulheres; capitalismo.
Esta dissertação analisa o trabalho reprodutivo realizado pelas mulheres à luz da Teoria da Reprodução Social (TRS), buscando compreender sua centralidade para a reprodução do modo de produção capitalista e discutir o reconhecimento dessas mulheres enquanto parte integrante da classe trabalhadora. Parte-se da compreensão de que o trabalho reprodutivo, embora indispensável para a reprodução da força de trabalho e, consequentemente, para a reprodução do capital, permanece historicamente invisibilizado e naturalizado como responsabilidade feminina. Fundamentada no materialismo histórico-dialético, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise documental, mobilizando autores clássicos do marxismo, do feminismo marxista e da Teoria da Reprodução Social, bem como dados secundários produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Inicialmente, discute-se a constituição histórica da classe trabalhadora no contexto da acumulação capitalista, articulando as contribuições de Karl Marx, Silvia Federici e Clóvis Moura para compreender as determinações de raça, gênero e classe na formação social brasileira. Em seguida, são apresentados os fundamentos da Teoria da Reprodução Social, com destaque para as contribuições de Lise Vogel e Tithi Bhattacharya, evidenciando o trabalho reprodutivo como dimensão constitutiva da reprodução do capital. Por fim, analisa-se a realidade brasileira a partir da divisão sexual e racial do trabalho, da organização social do cuidado e da Política Nacional de Cuidados, demonstrando que as mulheres, especialmente as mulheres negras, permanecem concentradas nas atividades de reprodução social e enfrentam uma distribuição desigual das responsabilidades de cuidado. Conclui-se que reconhecer a centralidade do trabalho reprodutivo implica ampliar a compreensão da classe trabalhadora para além dos limites tradicionalmente associados ao trabalho produtivo assalariado, evidenciando que a reprodução da vida constitui um elemento indispensável para a reprodução do capital e para a compreensão das relações sociais no capitalismo contemporâneo.