Impactos do Neoliberalismo na Saúde Mental das Mulheres: Fragilidades nos Serviços de Saúde Mental e os atravessamentos das Relações Patriarcais de Gênero
Saúde mental; gênero; neoliberalismo
Esta dissertação tem como objetivo analisar como a precarização dos serviços de saúde mental afeta a saúde e a vida das mulheres usuárias da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no município de Arapiraca, Alagoas. Especificamente, busca historicizar o desmonte da política de saúde mental, identificar como as desigualdades de gênero ampliam as fragilidades da rede e analisar o lugar ocupado pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) na vida das mulheres atendidas. A investigação fundamenta-se no materialismo histórico-dialético, considerando as relações entre as dimensões singular, particular e universal e articulando a formação social brasileira, o modo de produção capitalista, o neoliberalismo e as relações patriarcais de gênero na compreensão da determinação social da saúde mental das mulheres. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória, desenvolvida mediante pesquisa de campo em um CAPS II de Arapiraca. A produção dos dados inclui entrevistas individuais com oito mulheres acompanhadas pelo serviço, observação participante e registros em diário de campo. A análise busca apreender as experiências singulares das participantes em sua articulação com as condições concretas de funcionamento da RAPS e com processos sociais mais amplos de exploração, opressão e desfinanciamento das políticas públicas. Espera-se evidenciar como a precarização da atenção psicossocial, associada às desigualdades produzidas pelas relações patriarcais de gênero, repercute no acesso ao cuidado e nas condições de vida e saúde mental das mulheres, contribuindo para uma compreensão crítica das contradições que atravessam a política de saúde mental no contexto neoliberal.