INFECÇÕES VIRAIS EM PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA EXPOSTAS AO USO DE CRACK: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE PÚBLICA EM MACEIÓ, ALAGOAS, BRASIL
Crack; epidemiologia; HIV; HCV; HBV; Maceió, Alagoas
O crack é uma droga psicoativa potencialmente viciante, com importantes repercussões para vida social dos indivíduos, como também para a saúde pública. Pessoas que usam crack configuram uma população marginalizada e socialmente vulnerável, fatores que se intensificam quando associados à condição de extrema vulnerabilidade habitacional, tornando-as mais suscetíveis a comportamentos sexuais de risco, ao compartilhamento de materiais para consumo de substâncias, à estigmatização e à negligência de necessidades básicas. Diante disso, este estudo teve como objetivo investigar o status sorológico contra o HIV, vírus da hepatite B e vírus da hepatite C entre usuários de crack inseridos em situação de rua. Trata-se de um estudo transversal com abordagem quantitativa realizado entre os meses de junho de 2025 a agosto de 2025. Foram obtidos amostras biológicas e dados clínico-epidemiológicos de 138 pessoas assistidas pelo Consultório na Rua (CnaR) e/ou pelo Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Outras Drogas (CAPS AD) da Cidade de Maceió, Alagoas. Os participantes foram alocados em três grupos: expostos ao crack; não expostos ao crack, porém expostos à cocaína; não expostos (não usuários de crack e cocaína). A amostra total contou com 138 participantes dispostos nos grupos: 71 expostos ao crack, 14 não expostos ao crack, porém expostos à cocaína e 53 não expostos. A detecção dos marcadores sorológicos foi realizada por meio de testes imunoenzimáticos (ELISA). Dos 138 participantes, 16 (11,6%) apresentaram resultado positivo para HIV, sendo n=10 (7,2%) expostos ao crack, n=5 (3,6%) não expostos, n=1 (0,7%) no grupo não exposto ao crack, porém exposto à cocaína. Considerando o vírus da hepatite B, n=27 (19,5%) tiveram contato com o vírus, dos quais n=16 (11,5%) expostos ao crack, 9 (6,5%) não expostos e 2 (1,4%) no grupo não expostos ao crack, mas expostos à cocaína. Não foram obtidos resultados reagentes contra o vírus da hepatite C nas amostras analisadas. A prevalência elevada de infecções por hepatite B e HIV entre pessoas em situação de rua, com predomínio de usuários de crack, evidencia a necessidade de intervenções de saúde pública que visem à ampliação de estratégias de redução de danos, aumentando a distribuição de preservativos, testes e tratamento para essa população socialmente marginalizada.