A produção sociológica de Amaral Fontoura e a racionalização do pensamento católico
Institucionalização da Sociologia; Sociologia do Conhecimento; Sociologia Católica; Amaral Fontoura.
Esta pesquisa insere-se no âmbito dos estudos sobre o processo de institucionalização da Sociologia no Brasil, atentando especificamente para o desenvolvimento de uma de suas vertentes, a sociologia católica. Nesse contexto mais amplo, o trabalho analisa, por meio de um estudo de caso, a síntese entre o conhecimento sociológico e pressupostos cristãos elaborada por Amaral Fontoura, tomando como objeto central a estruturação de seu pensamento sociológico. Para tanto, examina-se a produção de seus manuais de Sociologia, bem como sua trajetória intelectual e profissional. Parte-se da hipótese de que a obra de Amaral Fontoura expressa os efeitos do processo de racionalização da vida moderna sobre o pensamento cristão no período. Os procedimentos metodológicos adotados incluem a pesquisa documental e a análise de conteúdo dos manuais de Sociologia produzidos pelo autor, além da consulta a arquivos da Hemeroteca Digital, que forneceram subsídios para a reconstrução de sua biografia. O referencial teórico fundamenta-se na Sociologia do Conhecimento, sobretudo na perspectiva de Karl Mannheim, a partir da qual o conhecimento é compreendido como socialmente condicionado e relacionado à posição social ocupada pelo autor. Recorre-se, ainda, às contribuições de Pierre Bourdieu, com o objetivo de aprofundar a compreensão das relações sociais e dos espaços de atuação nos quais Amaral Fontoura esteve inserido. Os principais resultados da pesquisa indicam: 1) a classificação do pensamento de Amaral Fontoura como ideológico, no sentido mannheimiano, uma vez que suas formulações convergem para a legitimação e a manutenção da ordem social estabelecida, evidenciada pelo alinhamento de seus manuais a projetos políticos como os da Era Vargas e da Ditadura Militar; 2) que as propostas de Sociologia Viva e Escola Viva buscam articular elementos laicos e escolanovistas a princípios cristãos, especialmente católicos; e 3) que a síntese elaborada pelo autor configura um caso exemplar do processo de racionalização do pensamento católico, no qual a ciência passa a ser mobilizada como fonte de legitimidade para o discurso social católico, sobretudo na primeira metade do século XX.