Luz, Imagem, Visão: a guerrilha de linguagem cinematográfica na Trilogia do Sertão
Cinema Novo; Nordeste; Guerrilha de Linguagem
Essa pesquisa tem como principal discussão o papel da guerrilha de linguagem cinematográfica como forma de intervenção estética e política no contexto do Cinema Novo brasileiro, tomando como objeto a chamada Trilogia do Sertão, composta pelos filmes “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, e “Os Fuzis” (1964), de Ruy Guerra. A partir da perspectiva da História Cultural e do reconhecimento do cinema como fonte histórica, o estudo também investiga como as imagens fílmicas participam da construção da memória social e da representação das experiências históricas. O trabalho dialoga com autores, a análise fílmica das películas citadas e leitura comparada de bibliografias a fim de compreender o cinema como um sistema discursivo atravessado por disputas dos mais diversos tipos. Nesse sentido, propõe-se o conceito de “guerrilha de linguagem” para designar o uso estratégico da forma cinematográfica como instrumento de contestação das narrativas dominantes. Inicialmente, examina-se o contexto histórico do cinema brasileiro nas décadas de 1950 e 1960, marcado por transformações políticas e culturais que favoreceram o surgimento do Cinema Novo. Em seguida, analisa-se como os filmes da Trilogia do Sertão constroem representações do Nordeste brasileiro por meio de recursos narrativos, visuais e sonoros que subvertem convenções cinematográficas tradicionais.