PROFMAT PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM MATEMÁTICA EM REDE NACIONAL INSTITUTO DE MATEMÁTICA Telefone/Ramal: Não informado

Banca de DEFESA: NÉLIO ANTÔNIO DA CONCEIÇÃO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : NÉLIO ANTÔNIO DA CONCEIÇÃO
DATA : 21/09/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Instituto de Matemática
TÍTULO:

DECOLONIZANDO A GEOMETRIA: ISOMETRIAS COM ADINKRAS – UMA REFLEXÃO ANTIRRACISTA PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA


PALAVRAS-CHAVES:

Palavras-chave: Etnomatemática. Decolonialidade. Isometrias. Símbolos Adinkra. Educação
Antirracista. Lei 10.639/2003. GeoGebra.


PÁGINAS: 140
RESUMO:

Esta dissertação apresenta um relato reflexivo sobre minha prática docente no ensino
de transformações geométricas (isometrias) para o 8o ano do Ensino Fundamental,
desenvolvido a partir de uma perspectiva decolonial, antirracista e etnomatemática. O texto
parte da crítica à narrativa eurocêntrica que tradicionalmente estrutura o currículo de
Matemática, evidenciando o apagamento sistemático de saberes matemáticos de matriz
africana: uma constatação que emergiu de minha própria trajetória como professor e das
inquietações que ela suscitou.
Como resposta a essa exclusão percebida em minha prática cotidiana, passei a utilizar
os símbolos Adinkra do povo Akan (atual Gana e Costa do Marfim) como recurso didático
em minhas aulas de isometria. Em minha experiência, os Adinkras revelaram-se não como
meros ornamentos, mas como uma tecnologia matemática sofisticada que expressa, por meio
de padrões geométricos, conhecimentos sobre simetria axial, rotação, translação, fractais e
lógica simbólica, conteúdos que integravam naturalmente meu planejamento habitual.
A reflexão que ora apresento articula três eixos teóricos que subsidiaram minha
prática: a Etnomatemática de Ubiratan D'Ambrósio, que reconhece a diversidade de saberes
matemáticos; o pensamento decolonial de autores como Quijano e Mignolo, que
desnaturalizam a hierarquização dos conhecimentos; e as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008,
que instituem a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena —
diretrizes que já orientavam meu trabalho em sala de aula. A proposta aqui refletida está
alinhada também à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente às habilidades
relacionadas às transformações geométricas.
Metodologicamente, este trabalho adota a abordagem qualitativa de investigação sobre
a própria prática, valendo-se de minha experiência docente em uma escola pública da região
Agreste de Pernambuco. O relato descreve sequências didáticas que desenvolvi ao longo de
seis aulas, mobilizando atividades investigativas com materiais concretos, construção manual
de padrões e modelagem digital no software GeoGebra: recursos que já integravam meu
repertório didático. A reflexão aqui registrada não se baseia em dados coletados
especificamente para esta pesquisa, mas em observações e registros de minha prática
cotidiana, mantidos em meu diário de classe e planejamentos pedagógicos.
As reflexões decorrentes dessa experiência indicam que a abordagem com Adinkras
contribuiu para a aprendizagem significativa dos conceitos geométricos, ao mesmo tempo que
promoveu a valorização de saberes africanos e o fortalecimento da identidade cultural de
estudantes negros, aspectos que observei em minha interação diária com a turma. Conclui-se,
a partir dessa vivência, que é possível e necessário articular rigor matemático, tecnologia
digital e educação antirracista, reafirmando o compromisso da escola com a justiça cognitiva
e social, um compromisso que, em minha prática, revelou-se não apenas possível, mas
urgentemente necessário.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2347015 - JULIANA ROBERTA THEODORO DE LIMA
Interno(a) - 2647632 - ISNALDO ISAAC BARBOSA
Externo(a) à Instituição - CLEONIS VIATER FIGUEIRA - UTFPR
Notícia cadastrada em: 20/09/2026 19:12
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