DESENVOLVIMENTO E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DE NANOPARTÍCULAS E NANOCOMPÓSITOS NA PERSPECTIVA DO TRATAMENTO DE FERIDAS
Nanotecnologia; Nanopartículas; Nanocompósito; Atividade antimicrobiana; Cicatrização de feridas.
Introdução: As feridas complexas constituem importante problema de saúde pública, cujos
fatores associados ao retardo da cicatrização incluem a ocorrência de processos infecciosos e o
difícil manejo de microrganismos resistentes aos antimicrobianos convencionais. Essa
problemática reforça a necessidade de novas abordagens terapêuticas, nas quais a
nanotecnologia se destaca pelo potencial de desenvolvimento de abordagens terapêuticas
promissoras. Objetivo: Desenvolver e avaliar a atividade antimicrobiana de nanopartículas e
nanocompósitos na perspectiva do tratamento de feridas. Materiais e métodos: O processo de
obtenção das nanopartículas (NPs) e nanocompósitos ocorreu via solução aquosa, com controle
dos parâmetros de reação e processamento. Esses materiais foram submetidos à caracterização
por diferentes técnicas físico-químicas (Uv-vis, DRX, DLS, potencial zeta e atividade
fotocatalítica). A atividade antimicrobiana foi determinada por meio da concentração inibitória
mínima (CIM) frente as cepas Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Escherichia
coli. Resultados: Foram desenvolvidas nanopartículas de óxido de zinco (ZnO) puras e dopadas
com ouro (ZnO:Au) e ferro (ZnO:Fe), cujas caracterizações e investigações complementares
resultaram em dois artigos científicos (ACS Omega, 2024; Environmental Science: Nano,
2026). Além disso, foram obtidas nanopartículas de Ag–TiO2/AgO e nanocompósitos à base de
simonkolleite, cujos resultados encontram-se descritos em dois pedidos de patente (BR 10 2024
005101 7 A2; BR 10 2024 005705 8 A2). Na triagem antimicrobiana, ZnO e ZnO:Au
apresentaram os menores valores de CIM frente a S. aureus e P. aeruginosa (7,8 μg/mL),
enquanto ZnO:Fe apresentou maior valor de CIM para E. coli (500 μg/Ml). A incorporação de
prata em Ag–NaTiO2/AgO reduziu a CIM inicial, e o tratamento térmico da simonkolleite
diminuiu a CIM para S. aureus e P. aeruginosa (7,8 e 15,6 μg/mL). Conclusão: As
nanopartículas foram obtidas com sucesso e demonstraram atividade antimicrobiana
promissora, tornando-se potenciais componentes de coberturas para cicatrização de feridas.