PROTEÇÃO DAS TRAJETÓRIAS ESCOLARES: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E PERCEPÇÕES DE FUNCIONÁRIOS SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DO SPTE NAS REGIÕES NORTE E NORDESTE DO BRASIL.
Sistema de Proteção das Trajetórias Escolares (SPTE), Teoria das Representações Sociais, Psicologia Escolar, Métodos Mistos, Evasão Escolar
O abandono e a evasão escolar configuram-se como desafios estruturais históricos na educação básica brasileira, manifestando-se de forma acentuada nas regiões Norte e Nordeste devido a desigualdades socioeconômicas e territoriais. Diante desse cenário, o Sistema de Proteção das Trajetórias Escolares (SPTE) surge como uma tecnologia social intersetorial que articula modelos preditivos de Inteligência Artificial e o Instrumento de Avaliação dos Fatores de Risco à Evasão Escolar (IAFREE) para promover intervenções preventivas e busca ativa. Contudo, a transição do paradigma reativo para o preventivo depende diretamente da mediação dos agentes escolares na ponta do sistema. O objetivo geral desta pesquisa é analisar as percepções e as representações sociais de funcionários de instituições escolares sobre as trajetórias escolares, a partir de suas experiências na implementação e execução do SPTE nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Metodologicamente, a pesquisa ampara-se em uma abordagem de métodos mistos com delineamento explicativo sequencial. A fase quantitativa consiste na aplicação de um questionário estruturado em escala Likert para mapear tendências de usabilidade e eficácia percebida. A fase qualitativa envolve a realização de entrevistas semiestruturadas em ambiente virtual, cujo corpus textual será submetido à análise lexicográfica por meio do software IRAMUTEQ, utilizando os planos de Classificação Hierárquica Descendente (CHD), Análise de Similitude e Nuvem de Palavras. Os dados serão interpretados à luz da Teoria das Representações Sociais (TRS), em suas vertentes processual e estrutural (Teoria do Núcleo Central). Espera-se que os resultados parciais discutidos evidenciem que a eficácia das ferramentas tecnológicas do SPTE é mediada pela subjetividade e prontidão organizacional dos funcionários, demonstrando a necessidade de formações continuadas que transcendam o caráter técnico e valorizem a dimensão ético-política e afetiva do acolhimento escolar.