MARACATU RURAL: VIOLÊNCIA DA PLANTAÇÃO, SOFRIMENTO E MEMÓRIA.
Maracatu Rural. Festa popular. Psicologia. Cultura. Lélia Gonzalez.
Entre o final do século XIX e o início do século XX, no contexto rural da Zona da Mata pernambucana, trabalhadores rurais que viviam o penoso cotidiano das plantações e dos engenhos de cana-de-açúcar reuniram-se em um brinquedo popular que veio a ser conhecido como Maracatu Rural ou Maracatu de Baque Solto. Em meio à violência do trabalho e em tensão com a cultura senhorial, essa manifestação afro-indígena-brasileira articulou mitos, ritos, cantos e danças, permanecendo como festa popular da região até os dias atuais. Partindo desse contexto, este estudo investiga as relações entre violência, sofrimento e memória no universo canavieiro, buscando compreender o Maracatu Rural em suas articulações com a cultura e a subjetividade. Para tanto, desenvolveu-se uma pesquisa teórica interdisciplinar de abordagem qualitativa, compreendendo revisão narrativa de literatura, pesquisa documental e discussão teórica fundamentada na teoria social de Lélia Gonzalez. Ao final da análise, concluiu-se que o Maracatu Rural foi historicamente constituído como uma sociabilidade festiva e uma organização própria do tempo social, por meio das quais a violência da plantação é reelaborada em narrativas autorais de sofrimento, na ritualização da memória e na experiência estética. Desse modo, o estudo buscou contribuir para o aprofundamento das relações entre Psicologia e Cultura no campo da pesquisa acadêmica.