DOR CRÔNICA NA FACE E GOZO: UMA ABORDAGEM PSICANALÍTICA.
Dor crônica na face. Psicanálise. Corpo. Gozo.
Esta dissertação investiga o fenômeno da dor crônica facial ou orofacial a partir da perspectiva da psicanálise. Tradicionalmente abordada pela medicina e pela odontologia como queixa orgânica, essa modalidade de dor exige uma leitura que considere sua incidência na experiência subjetiva. A clínica psicanalítica, ao conceber o corpo como pulsional e atravessado pela linguagem e pelo gozo, permite situar a dor para além da fisiopatologia. O objetivo geral consiste em delimitar as contribuições da psicanálise para a abordagem clínica das dores crônicas orofaciais. Como objetivos específicos, investigam-se: (1) a particularidade dessa dor em sua relação com as noções de corpo e gozo; e (2) os possíveis direcionamentos do tratamento na clínica contemporânea. Trata-se de uma pesquisa clínico-teórica em psicanálise, desenvolvida em formato de artigos. O primeiro apresenta uma fundamentação conceitual e histórica da dor crônica e das algias orofaciais, em perspectiva crítica. O segundo consiste em uma revisão narrativa da literatura, evidenciando a associação recorrente entre dor orofacial e sofrimento psíquico, bem como a escassez de produções psicanalíticas sobre o tema. O terceiro aborda a noção de corpo na psicanálise, do corpo histérico freudiano ao corpo falante lacaniano, situando a dor como fenômeno transestrutural. O quarto apresenta um relato de experiência com base em entrevistas clínicas com pacientes acometidos por disfunção temporomandibular severa, articulando a dor à oralidade e situando a boca como borda pulsional. O quinto explora a noção de gozo em diferentes momentos do ensino de Lacan, a partir da análise de fragmentos clínicos. Os resultados indicam que a dor facial, ao se articular ao corpo, relaciona-se à oralidade, à pulsão e ao gozo. A partir das contribuições lacanianas, o corpo é compreendido como uma articulação entre o Real, o Simbólico e o Imaginário, o que permite situar a dor orofacial em sua função singular para cada sujeito. Conclui-se que a psicanálise, ao privilegiar a escuta e situar a dor na articulação entre corpo e gozo, oferece uma contribuição específica à clínica contemporânea, sustentando um espaço em que a dor possa ser abordada como expressão singular da economia de gozo.